segunda-feira, 13 de junho de 2022

Criptomoedas e a Mineração

 

 Criptomoedas e a Mineração



 

Em sentido genérico, uma cripto moeda é dinheiro, como as moedas que habitualmente transacionamos no nosso cotidiano, com uma diferença fundamental é inteiramente digital. Este tipo de dinheiro não é emitido por nenhum governo, como o caso do euro ou do dólar, chamadas moedas fiduciárias.

O conceito tácito das cripto moedas foi abordado em 1998 por por Wei Dai, onde propôs utilizar a criptografia para verificar a realização de transações com um tipo novo de dinheiro. A grande consequência desse novo conceito é que ao ser posto em prática, não existe mais a necessidade de existir uma autoridade central controladora como acontece com as moedas convencionais.

Na realidade as cripto moedas são usadas com os mesmos destinos da moeda física, assumindo três funções fundamentais, facilita as transações comerciais como meio de troca, para a proteção do poder de compra no futuro através da reserva de valor e também como unidade contábil, quando os produtos são tabelados e o cálculo financeiro é realizado em função dela. Atualmente, o Bitcoin ainda não alcançou o estatuto de unidade de conta, por conta da grande volatilidade que a sua cotação está sujeita.

Aqui chegados, importa perceber como é realizada a produção deste tipo de dinheiro digital, sendo que para isso é preciso abordar o assunto da mineração.

No sentido de aprofundar o tema da mineração, é preciso saber que as moedas digitais, como o bitcoin, reproduzem um código complexo que não pode ser alterado, porque as transações são protegidas pela criptografia. Desse modo, como não existe uma autoridade que acompanhe as transações, estas precisam de ser registadas, validadas individualmente por um grupo de pessoas, ou melhor pelos seus computadores que estão a resolver os cálculos matemáticos gravando-as no denominado blockchain. Este ultimo, mais não é do que um registro enorme de banco de dados públicos, das transações realizadas em cada unidade de bitcoin, sendo que as outras moedas também se baseiam no mesmo principio tecnológico.

Todas as transações são únicas, quem regista essas transações são os mineradores, que oferecem a capacidade de processamento dos seus computadores para realizar, registar e conferir as operações em troca de remuneração de novas unidades de criptomoedas.

Pelo exposto, designadamente o bitcoin é criado mediante a utilização de uma rede formada por milhares de computadores, a resolver problemas matemáticos complexos que verificam e validam as transações contidas no blockchain.

Resumidamente, a mineração é a produção de novas unidades de moedas digitais, sendo que, à semelhança da extração de oiro da terra, quanto mais computadores são usados para o aumento da capacidade de processamento na mineração os problemas matemáticos ficam cada vez mais difíceis de resolver, ou seja, isso acontece precisamente para limitar o processo de mineração, sendo o bitcoin como o ouro um bem finito, conforme abordado mais frente.

Importa referir que, apesar de o bitcoin ser a moeda digital mais conhecida existe uma variedade de outras moedas com características bem distintas.

O bitcoin, (BTC) é a mais reconhecida das moedas digitais, tendo sido o primeiro sistema de pagamentos global completamente descentralizado.

Em plena crise financeira global de 2008, lançada pelo colapso no mercado americano, é esboçado este sistema com o objetivo de eliminar o dinheiro papel e a necessidade da banca intermediar as operações financeiras. A primeira prova deste conceito foram aludidos num artigo assinado por Satoshi Nakamoto, pseudônimo de um programador ou de um grupo de programadores, que até hoje não foram identificados. Este grupo de programadores criou a logica de funcionamento do blockchain, que permitiu a existência do bitcoin, tendo sido ainda estabelecido um limite máximo de 21 milhões de bitcoins para circulação, cujo limite se prevê ser atingido com a última moeda minerada no ano de 2140.

Numa tentativa de aperfeiçoar o bitcoin original surge o bitcoin cash, (BCH) em agosto de 2017, assim o bitcoin original que contava com taxas mais elevadas e maior tempo no processamento de cada operação; é aprimorado pelo bitcoin cash que permitiu um limite de de bloco de 8 mb, maior que o de 1 mb do original, o que facilitou a confirmação de transações de forma mais rápida e com taxas mais baixas. O processo de funcionamento é semelhante ao original também com um limite de 21 milhões de moedas.

Sobre a moeda do Ether, em 2016 foi detetado por um hacker uma falha no sistema que lhe permitiu furtar 50 milhões de dólares em Ether, o que originou o repensar do futuro da moeda, tendo a comunidade que a mantinha criado uma nova rede, o Ethereum Classic, cuja moeda de popularizou por Ethereum, (ETH). Após o apoio da comunidade esta moeda ficou a valer mais do que a primeira versão, até porque, o Ether moeda original, não fora criado para ser uma moeda digital como o bitcoin, ou seja, a ideia era ser um ativo para recompensar os programadores pelo uso da plataforma Ethereum nos seus projetos. Esta plataforma descentralizada é utilizada para execução de contratos inteligentes; que são operações automatizadas que acontecem quando certas condições são observadas. Como no bitcoin, na base de validação das transações com Ethereum, está também a blockchain garantindo a segurança evitando enganos, cuja criação de novas moedas assenta também no processo de mineração, sendo das criptomoedas mais negociadas do mundo.

Por outro lado, a moeda Tether, (USDT), lançada em 2014 é uma stablecoin, porque tem alicerce na moeda física, ou seja, esta mantem uma paridade com o dólar americano, o que significa que por cada Tether produzido é preciso existir um dólar equivalente em cofre. A principal característica desta moeda é ser uma moeda estável, com menor volatilidade representando as moedas físicas no mundo digital, tornando-se na opção para executar transferências das diferentes cripto moedas pelos sistemas. Esta diferença permite aos investidores se protegerem das várias variações de preços de outros ativos evitando perdas avultadas durante as operações, é negociada essencialmente na bitfinex, uma bolsa de criptomoedas que tem acionistas em comum com a empresa Tether controladora da moeda.

Outra moeda de destaque criada em 2011 é o Ripple, (XRP), que é baseado num protocolo de pagamento a funcionar no sistema XRP, uma das características desta moeda é o suporte de tokens na sua rede, que é a representação de moedas convencionais e outros bens. Este sistema permite realizar pagamentos imediatos e seguros, pensado pelo programador Ryan Fugger, o gestor Chris Larsen e o programador Jed McCaleb, esta moeda é mais que um tipo de dinheiro, é um sistema em que qualquer moeda, como por exemplo, o bitcoin pode ser negociada. Em certa medida de funcionamento o Ripple pode-se comparar com os bancos, porque pode aceitar vários ativos facilitando a realização das transações. Por essas razões o Ripple caminha em sentido oposto ao idealizado pelas restantes moedas digitais, que têm como ideologia a não dependência no sistema financeiro convencional para a realização das operações. Outra forte característica é que não existe um processo de mineração, como concretamente no caso do bitcoin ou Ethereum.

Antes de terminar a abordagem sobre as cripto moedas, é necessário falar ainda de mais uma moeda semelhante ao bitcoin, o litecoin, (LTC), criado em 2011 por um ex-funcionário do Google Charlie Lee, porque tem como característica a redução no tempo da confirmação das transações no processo de mineração, facilitando a participação no processo de criação por qualquer pessoa. Com um processamento mais rápido, esta moeda é o mais indicado na realização da transações do dia-a-dia e ao contrário do bitcoin que funciona como reserva de valor esta moeda tem um limite superior de produção tendo como limite os 84 milhões de moedas.

Em suma, o cripto moedas são ativos, fruto de uma recente tecnologia de logica avançada de funcionamento, sendo que, ainda existe muito por entender na operação das mesmas, contudo oferecem vantagens em relação às moedas físicas e outros meios de pagamento, por exemplo, liberdade de pagamento; tanto a receber, como a pagar é instantâneo, com taxas muito baixas ou até inexistentes, segurança nos dados pessoais aquando dos pagamentos sem os vincular, protegendo assim a identidade e até furtos com a utilização das cópias de segurança através da criptografia. Todas as informações estão registadas na blockchain e nenhuma instituição pode controlar ou manipular o protocolo da moeda digital. Por outro lado, do ponto de vista menos positivo temos a grande volatilidade das moedas que estão na correlação direta do grau de aceitação dos utilizadores, sendo que ainda existe poucos estabelecimentos a aceitar essa forma de pagamento. As cripto moedas estão cada vez mais a ganhar visibilidade, e os analistas de mercado, vislumbram um amadurecimento de mercado com a redução da volatilidade ao longo do tempo.

Após compreender o que são e como funcionam as cripto moedas, mergulhamos no conceito de mineração como suporte ao projeto de turismo rural. Já existem muitas pessoas a utilizar a mineração como forma de suportar, por exemplo, as despesas de manutenção dos condomínios, mas parece-me inovador o conceito de sustentabilidade de um negócio através da mineração.

Segundo Bazan, (2018) há duas maneiras de obter as cripto moedas, ou pela sua compra em site especializado para o efeito ou através do processo de mineração, através de cálculos matemáticos computacionais do hardware para descriptografar novas transações da moeda em um novo bloco, validando-o, inserindo-o no Blockchain, ganhando-o uma recompensa nessa moeda. É portanto essa a decisão de sustentabilidade que se quer implementar no projeto de turismo rural, investir em equipamentos capazes de garantir o ROI, (retorno do investimento), permitindo ainda após essa fase, alimentar o negocio com capital suficiente para que mesmo que o core business não esteja a rentabilizar como se ambiciona, o negocio não fica comprometido, porque é sustentado pela mineração.

Ao longo do tempo, a inovação é notável no que concerne aos equipamentos utilizados para minerar, aparelhos mais específicos e mais eficientes foram criados para a mineração (ALKUDMANI, 2020), sendo que, o retorno está intimamente ligado ao tipo de máquina utilizada, quer seja baseada em placas gráficas ou asics, sendo que, para este projeto se tenha decidido utilizar o seguinte equipamento.





Pelo exposto, de forma resumida a posse de placas de vídeo, processador, memoria e uma placa mãe com um número considerável de slots pci express e uma fonte de alimentação daria para iniciar o processo de mineração, (Financialmove, 2018), todavia apesar das placas de vídeo servirem bem o propósito, elas foram criadas com outras funções, dai a escolha de um antiminer. Esta possui um desempenho elevado na resolução de cálculos matemáticos essencial para minerar cripto moedas. Segundo Bazan, (2018) esse computador pode ser comprado em site especializado, existindo vários modelos no mercado, onde as principais diferenças entre eles são poder de processamento e o consumo de energia.

Segundo Riggs (2019) a bitmain criou a antminer Z11 que tem três vezes a capacidade de processamento do anterior modelo, superando as máquinas concorrentes em consumo de energia e eficiência. Importa esclarecer e como plano de contingência que existe alternativa a estas máquinas dedicadas, por exemplo, formar a conhecida pool de mineração, que mais não é do que várias pessoas a combinar o poder computacional das suas maquinas para uma maior eficiência e desempenho e, à medida que se têm uma recompensa, ela é dividida por todos os participantes (PASTORINO, 2018).

Ainda em alternativa, temos o processo denominado de Clound Mining, que se traduz no investimento de determinado valor em uma empresa que possui equipamentos de mineração, (hubmines.com), oferecendo dividendos percentuais do montante investido, em forma de valor fiduciário ou em moedas digitais, (LESSA, 2020).

O cripto moedas estão na moda, é de fato uma tendência de gerar renda rápida, sendo cada vez mais conhecidas e utilizadas pelo mundo. Em Portugal, mesmo que esta tecnologia ainda não seja muito acessível, até por causa da falta da regulamentação e de poucos estabelecimentos as utilizarem como meio de pagamento, pouco a pouco observa-se a sua introdução e prevê-se a sua implementação, que acabará por revolucionar os meios de transferência e troca de bens e serviços.

Em suma, as possibilidades são imensas, devido à rentabilidade e margem de lucro que a mineração oferece, podendo ser o alicerce de muitos negócios, a variedade de cripto moedas e as respetivas valorizações dependentes das oscilações de mercado, podem fazer a diferença de escalabilidade das próprias empresa que as adotam. Claro que o jogo de compra e venda se assemelha à bolsa tradicional, mas a vertente de produção, mineração pode permitir para além de um ganho constante real, diário, mensal e anual, a possibilidade a longo prazo, de um ganho substancial como já aconteceu, passando um bitcoin, de um valor zero a 69.000 dólares, (https://coinmarketcap.com).

 

BIBLIOGRÁFICA:

-       ANDERSON, Andreas Criptocurrencies, Wisconsin: 2017, Pubish Drive. ANTONOPOULOS, Andreas M. Mastering Bitcoin. Unlock digital cripto-currencies. O’Reilly, 2014. Mastering Bitcoin. Unlock digital cripto-currencies. O’Reilly. 2016. Versão traduzida.

 

-       FERBER, Stefan. How the Internet of Things Changes Everything. Harvard Business Review. 2013. Disponível em https://hbr.org/2013/05/how-the-internet-of-things-cha. Acesso em 2017/12/25.

 

-       LEE, Larissa. New Kids on the Blockchain: How Bitcoin's Technology Could Reinvent the Stock Market. Hastings Bus. LJ, v. 12, p. 81, 2015.

 

-       GIUNGATO, Pasquale. ew Current Trends in Sustainability of Bitcoins and Related Blockchain Technology, in Sustainability Magazine 2017, 9

 

-       KAMIENSKI, Carlos, SOUTO Eduardo, ROCHA, João, DOMINGUES, Marco, CALLADO, Arthur, SADOK, Djamel. Peer-to-Peer: Computação Colaborativa na Internet. 2004. Disponível em http://www.lbd.dcc.ufmg.br/colecoes/jai/2005/004.pdf. Acesso em 2018/05/01.

 

-       NAKAMOTO, Satoshi. Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System. 2008. Available in https://bitcoin.org/bitcoin.pdf. Acesso em 2022/06/12

 

-       NARAYANAN, Arvind; BONNEAU, Joseph; FELTEN, Edward; MILLER, Andrew; GOLDFEDER, Steven. Bitcoin and Cryptocurrency Technologies: A comprehensive Introduction. Princeton University Press, 2016.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Gestão Estratégia - Será que é a definição da estratégia que vai determinar a estrutura, ou pelo contrário, a estrutura existente condiciona a estratégia?




Falar sobre Gestão Estratégica, é sobretudo refletir sobre conceitos de estratégia, poder, e liderança, que é de uma tamanha ampla abrangência, que penso ser permitido concluir que não cabe no cômputo desta reflexão, a sua observação aprofundada, mas sim o seu entendimento genérico.

Antes de abordar esta temática, penso ser essencial para chegar à resposta da pergunta supramencionada, compreender o conceito de estratégia, de política, poder, e sobretudo o conceito de liderança.

Em bom rigor e na verdade, a estratégia é em simultâneo uma ciência e uma arte, porque se constitui de um objeto concreto de investigação e analise, através de instrumentos teóricos e práticos, relacionando os factos e acontecimentos. Enquanto ciência socorre-se de ferramentas teóricas, todavia existem limitações estruturais do conhecimento científico, resultantes da escassez de dados, variedade de soluções estratégicas, lógica casual das ações opostas, pluralidade de atores e a pessoalização das decisões.

Por outro lado, como os desfechos estratégicos dependem da capacidade de inspiração do individuo estratégico é também considerada uma arte, que resulta de um conjunto de fatores de decisão. Estes fatores de decisão utilizam além do elemento objetivo, a componente subjetiva do aceitável, da probabilidade e da exequibilidade indispensáveis no delinear estratégico.

O desenho da arte espelha a forma habilidosa como se utiliza os meios, se gere o tempo e se liga os dois, nesse sentido, ao longo do tempo não se materializou a estratégia como uma ação puramente científica e imutável. O cariz da adaptabilidade e aplicabilidade da estratégia como matéria intelectual de elevada ordem permite ao estratega aplicar ideias com precisão, clareza e imaginação, sendo por isso um processo dinâmico e não estático.

A estratégia é autenticada nas competências do estratega que reflete um líder, praticante e teórico. A estratégia da organização é a soma das decisões e ações que oferecem de forma sustentável maior valor ao cliente do que a concorrência (Freire, 2020).

Em termos de terminologia “politica” deriva da palavra “Polis”, (Cidade-Estado), onde se desenvolvia a atividade, em comunidades de grande e pequena dimensão, de quem exercia o poder ou quem lutava para o alcançar, defendendo o interesse de todos os membros da polis, incluindo, os interesses de justiça, segurança e bem-estar. Evolutivamente, passou-se de uma perspetiva liberal de defesa e preservação de liberdade e direitos patrimoniais face ao estado, para uma perspetiva de utilização do estado, como garantia da consagração dos direitos económicos, sociais, culturais e mais tarde ambientais.

Em sentido restrito, Poder, traduz-se na capacidade de estabelecer qual deve ser a vontade alheia independentemente do processo utilizado para o efeito, nomeadamente, através do meio coercivo ou da capacidade de despertar a vontade humana de obedecer através do consentimento. Atento ao poder como fenómeno político, no sentido mais lato, caracteriza-se por ser exercido em maior escala, encarnando um sentido de obediência abstrato, ou seja, em vez de o individuo estar subordinado no seu livre arbítrio a uma pessoa concreta, os seus procedimentos são regulados e legitimados pelo poder político. Importa referir ainda sobre o poder político, a sua legitimação, organização, limitação e espaço do seu exercício.

Em termos genéricos o poder político reúne à sua volta o consenso mínimo dos apoiantes e adversários que lhe permite ser aceite sem o recurso sistemático e exclusivo à violência. Juridicamente o poder decorre da escolha efetuada nos termos da constituição e da perspetiva social, sendo legítimo, o poder que seja aceite pelo maior numero, independentemente da razão que fundamente esse facto.

A globalização e a criação de organizações como o FMI, UNESCO e a própria U.E., trouxe a necessidade de prestar atenção acrescida sobre a problemática dos espaços do exercício de poder e a sua natureza, quer seja em organizações privadas ou públicas.

Naturalmente ao abordar o assunto da gestão estratégica é preciso falar ainda sobre liderança; que no fundo é a inteligência de manipular as pessoas para trabalharem com entusiasmo apontando alcançar os objetivos reconhecidos como sendo para o bem comum, (HUNTER, 2004, p. 25). Segundo Chiavenato (2003), o conceito de liderança surgiu na década de trinta, fora do campo da história e da filosofia, já que cada autor tem o seu conceito sobre a liderança, sendo o mais usual definido pela capacidade de influenciar um grupo em direção ao alcance de objetivos.

Na minha perspetiva, um bom líder deve de forma eficiente granjear um equilíbrio entre os objetivos da empresa, perfilando-os com os objetivos de quem trabalha na empresa. O líder deve deter competências e liderar pelo exemplo, sendo honesto com os subordinados, mas retirando deles o máximo das suas capacidades produtivas em prol da empresa. Deve atingir uma harmonia, segundo os recursos que possui, visando o lucro da empresa e assegurando que os subordinados tenham também a oportunidade de conseguir atingir os seus objetivos pessoais.

A liderança reconhece a forma como os líderes desenvolvem e seguem a função, visão e os valores essenciais para apoiar o sucesso da Organização (Manual CAF 2013, 2019, p. 19). Este raciocínio reparte-se em orientar a empresa através do desenvolvimento da missão, visão e valores; desenvolver e implementar um sistema de gestão da empresa, do desempenho e da mudança; motivar e apoiar as pessoas da empresa e servir de modelo; gerir as relações com os políticos e com as outras partes interessadas de forma a assegurar uma partilha de responsabilidade.                                                                                                         

Seguidamente, deparamo-nos com o planeamento estratégico, que é a forma como a empresa planifica e executa a sua estratégia mediante as suas necessidades, recursos e expectativas dos Stakeholders (Manual CAF 2013, 2019, p. 24). Este último fragmenta-se, naquilo que a empresa efetua na busca da informação referente às necessidades atuais e futuras visando todas as partes envolvidas; na forma como a empresa trata a informação recolhida e planifica a sua estratégia, como a implementa em toda a estrutura e como prevê a sua modificação e evolução.                                                                                                                                             

Posteriormente, refletimos sobre o capital humano, onde a empresa planifica e faz a gestão dos melhores recursos humanos, envolvendo-os com a estratégia da empresa (Manual CAF 2013, 2019, p. 29). É nesta sintonia que a empresa deve de forma equitativa e justa gerir os recursos humanos em consonância com os objetivos individuais e organizacionais, identificando, desenvolvendo, usando as competências das pessoas, através da comunicação, da delegação de funções sem deixar de garantir o bem-estar geral.                                                                     

Aqui chegados importa focar atenção nos recursos e parcerias, e saber de que forma a empresa pretende gerir, planear as parcerias, os recursos internos e garantir o cumprimento dos processos de estratégia (Manual CAF 2013, 2019, p. 33). A empresa na avaliação da sua estrutura deve, referenciar o que faz, para desenvolver e gerir as parcerias que acrescentam valor. Deve ainda implementar e fortalecer parcerias com os clientes, gerir os meios financeiros, a informação, os recursos tecnológicos e materiais.                                                                                                                                                                                                                                                                     

Por ultimo, no que concerne aos meios e processos, deve dominar a forma como são criados, geridos no sentido de os melhorar, visando o suporte necessário para modernizar as politicas e estratégias definidas, garantindo a satisfação através da criação de mais-valias para as partes envolvidas e naturalmente os clientes (Manual CAF 2013, 2019, p. 40).

A estratégia, na sua essência, na maioria das vezes, obedece aos fatores de decisão, que estão bem gravados na formulação e na operacionalização da modalidade da ação, todavia não cumpre a um raciocínio predefinido, pois trata-se de uma atividade criativa.

O pilar científico é importante na fase de formulação e operacionalização das estratégias, pois existe interesse que os líderes civis e militares percebam bem o modelo estratégico que integra a modalidade da ação, onde fazem parte os fatores de decisão, os níveis de decisão, execução, os princípios, regras, a vantagem estratégica, os modelos de ação e as provas da estratégia, de aplicação universal.

A operacionalização da estratégia nas empresas, permite aos líderes planear, discutir diferentes visões estratégicas, contudo é necessário salientar, que por muitas aproximações científicas que sejam construídas à formulação e à operacionalização da estratégia, esta permanecerá sempre, situada como uma arte e não como uma ciência.

Atento à obra “Memorias de um Outono Ocidental: Um seculo sem Bússola” do Professor Adriano Moreira, nós caminhamos numa europa sem rumo, distanciando gerações, provocando a morte antecipada da geração mais velha e seguindo um rumo de democracia não efetiva que nos vai conduzir à desordem mundial. É cada vez mais, necessário o vínculo a uma mentalidade de constante adaptação e aprendizagem.

As sociedades estão cada vez mais dinâmicas, onde o processo evolutivo é esto diante, sendo que, a aceitação a esta nova realidade é inevitável, deve-se abraçar este espirito e sintonizar nesta atual corrente.

No mundo empresarial devemos aproveitar as formas e metodologias já utilizadas, contudo sem ignorar ou negar, as novas tendências, pois pode ser uma atitude fatal que evita decerto o sucesso das empresas.

“O Projeto, não é uma simples representação do futuro, mas um futuro para fazer, um futuro a construir, uma ideia a transformar em ato”. Jean Marie Barbier, (1993), dessa forma, através da ação, aliado à sapiência, com espirito inovador, atento às novas tendências, adquirindo novos conhecimentos e respeitando a ética moral e dos bons costumes, penso estar reunidos os ingredientes necessários para uma boa gestão estratégica.



Siglas:

- Globalização - Fenômeno da aproximação das pessoas e suas culturas a nível global. O processo de globalização abarca a dimensão económica, politica, social, jurídica, social, demográfica, cultural e religiosa, ou seja, um fenómeno amplamente abrangente com impacto em todas as áreas da interação humana.                                                                                                                                                                       - UNESCO - United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization,                                                  - FMI – Fundo Monetário Internacional,

- EU – União Europeia,                                                                                                                                    - SWOT - Forças (Strengths, Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities), Ameaças (Threats), (em Português F.O.F.A.).

 

 

Bibliografia:

 

- Aguiar, N. (2010). O Modelo de Gestão da Qualidade CAF (Estrutura de Avaliação Comum) O Papel da Liderança. Lisboa: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

      

- CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a teoria geral da administração, 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. Bertrand Editora.                                                                                                                                    - HUNTER, - James. O monge e o executivo: Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

 

- Ribeiro, António Silva, Teoria Geral da Estratégia, Coimbra, Almedina, 2009.

 

- Ribeiro, António Silva, Planeamento da ação estratégica aplicado ao Estado, Lisboa, Minerva, 1998.     

 

- Ribeiro, António Silva, Política de Defesa Nacional e Estratégia Militar – modelo de elaboração, Lisboa, Segurança e Defesa, ed. Diário de Bordo, 2010.                      

 

- Rodrigues, Carlos (2021-11-11). Gestão Estratégica no Turismo/Hotelaria  [Webinar]. Politécnico de Leiria, https://www.youtube.com/watch?v=XWHbpAL5BZI

 

- PINTO, Carla, “Empowerment, uma Prática de Serviço Social”, 1988, in BARATA, O (coord), Política Social – Lisboa: ISCSP (p.247).

 

- GIDDENS, Anthony, “O Mundo na Era da Globalização”, Lisboa: Editorial Presença. 2000

 

- BESSA, António Marques, Elites e Movimentos Sociais, Lisboa: Universidade Aberta, 2002

 

- MOREIRA, Adriano – Ciência Politica 4. ed. Coimbra: Almedina, 2009.