segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Ambiguidade da relação ancestral Europa-Ásia, dos primórdios ao Renascimento.





Relação ancestral Europa-Ásia

É no contexto da Europa da Antiguidade Clássica Grega, que encontramos a Origem Etimológica da palavra Europa: Europa princesa asiática, filha do Rei da Fenícia Agenor é raptada por Zeus, que a leva para Creta. Na interpretação de alguns estudiosos, esta realidade mitológica conduz-nos já à ideia de mobilidade (rapto), poder e de soberania (incarnado em Zeus) de que a Europa é reflexo. É nesta realidade onde encontramos a primeira ideia chave, Liberdade. Derivada das várias conceções dos autores gregos, cuja linha de pensamento adicionou ao conceito geográfico, (contexto de diferenças ao nível das línguas, usos e costumes), os sistemas de governo. A forma de governo das Cidades Estados símbolo da liberdade política e da liberdade grega em oposição ao despotismo Persa. Com a ascensão e expansão do Império Romano, a palavra Europa embora utilizada, passa a estar impregnada de um forte sentimento de universalidade, o conceito político deixa de estar confinado às fronteiras, mas ao oikoumene, (mundo habitado). Vista como parte do todo, detém no entanto uma posição privilegiada neste universo, é a sede do poder dominador e o centro de decisão. No séc. V, após a divisão e queda do Império Romano, a Europa assiste há primeira rutura na unidade do mundo clássico, sendo que, a segunda ocorre dois séculos mais tarde com a conquista Árabe-Muçulmana. Assiste-se há transferência do conceito geográfico de Europa para Ocidente. Uma nova unidade surge do Sacro Império de Carlos Magno, Pai da Europa, a ideia de império herdado de Roma é substituída pelo universalismo cristão. Subjacente a este conceito a fragmentação, bem patente no Tratado de Verdum de 843 (Divisão da Europa em 3), segundo alguns autores poderá estar na base da Europa futura, a “Europa das Nações”, a falta de homogeneidade seria acentuada pelo Grande Cisma (1054). Mas a ideia de cristandade prevalece, apesar de todas a ruturas e fraturas, em muito graças aos avanços do Islão que enclausurando o cristianismo na Europa, gerou movimentos de “adesão”, personificado nas cruzadas e nos interesses nacionais. 


"o Iluminismo na construção de uma ideia de “Europa”


A histórica da Europa, assenta em três ideias chaves: a Liberdade (Antiguidade Clássica), a Cristandade (Idade Média) e a Civilização (Iluminismo). É no período que vai do renascimento ao iluminismo que a palavra Europa, volta lentamente a ser introduzida, deixando para trás o conceito de Ocidente e Cristandade. Para esta mudança em muito contribuiu o impacto criado pelos movimentos da Reforma e Contra-Reforma e o regresso às fontes clássicas. Mas é no século XVIII com o Iluminismo que se redefine a Europa como “Civilização” e se dá aproximação do Leste ao Ocidente. Uma nova tomada de consciência, traduzida na procura de equilíbrios, que se torna no conceito operativo a nível do pensamento e da prática política, traduzido na influência do Direito Natural e do Direito Internacional. Os ideais pacifistas ganham importância, destaque para o Abade de Saint Pierre e o seu “Project pour rendre la paix perpétuelle en Europe” que iria servir de mote a numerosos escritos, sobre a ideia de “União Europeia” nos Projetos de “Paz Universal”. É a Europa da Separação de Poderes, impulsionada pelo movimento da expansão marítima e dos inequívocos sentimentos de superioridade. De facto é com o iluminismo que se inicia o desenho cartográfico da europa moderna.



"Concepção de Idade Média acalentada pelos Românticos"

No séc. XIX o carácter romântico criou a ilusão de que na Idade Média já havia uma ideia de Europa, aliado às ruínas de Roma (elemento latino), aos povos bárbaros (elemento germânico), liderados pela Igreja Cristã formando a verdadeira civilização europeia, (1815 dá-se a Aliança Sagrada). As visões idealizadas da religião e da política da Idade Média eram muito populares no período revolucionário, e estes ideais eram associados o conceito de Europa. Foi apenas no séc. XV que se tornou frequente associar a identificação da Europa com o Cristianismo, contudo no início do séc. XIX a ideia de Europa era projetada muito mais atrás na história. De facto a ideia de Europa na Idade Média não tinha existido, limitava-se a uma mera expressão geográfica. A Restauração viu a aliança opor-se à Revolução, duas visões de Europa divergentes: entre os defensores da Sagrada Aliança: a da unidade cristã defendida pelos românticos e a do equilíbrio de poderes defendida pelos realistas conservadores. Entre os progressistas a ideia de Europa estava ligada a uma certa análise da evolução histórica do continente, contrapondo-se aos românticos reacionários. Durante a primeira metade do séc. XIX, os movimentos nacionais tinham base romântica, enquanto os românticos reacionários glorificavam a Idade Média, os românticos progressistas buscavam inspiração nas ideias da Revolução Francesa. A era do idealismo romântico termina e a segunda metade do séc. XIX foi dominada pelo realismo político, (nacionalismo), assistindo-se por toda a Europa a movimentos de unificação, (Itália, Alemanha) e de anexação (Napoleão, Bismarck).


João Carriço

“As presidências portuguesas da União Europeia”



O ensaio reflete as fases de integração e consolidação europeia portuguesa, onde os autores demonstram através de uma análise técnica e valor empírico a orientação política Portuguesa, do exercício da rotativa Presidência do Concelho de Ministros da UE. Em análise está a prestação portuguesa na Presidência da UE, mas também a forma como todos os outros estados membros, assumem essa responsabilidade, atentos ao carácter político, social, ao nível interno e externo. Neste sentido, os autores utilizam uma abordagem racionalista e sociológica, descrevendo a sua relação de competitividade e complementaridade, socorrendo-se das correntes dos autores Jonas Tallberg; Ole Elgström e Emil Joseph Kirchner, no sentido de classificar os diferentes tipos de atuação; “Low profile”, “High profile” e de “Self images” dos estados membros. A Presidência é uma oportunidade para os estados membros ajustarem a agenda da UE, através dos poderes institucionais, o que lhes confere superioridade competitiva perante os outros estados membros. Neste contexto, cumpre no comuto geral deste trabalho analisar a evolução da construção europeia, e caracterizar a prestação Portuguesa desde a sua integração na UE em 01JAN1986 até há atualidade. Deste modo, o AUE é assinado em Luxemburgo a 17FEV1986 e marca o estabelecimento do mercado único europeu, eliminando as fronteiras ao nível económico e social, depositando as sementes para a integração política e uniformização monetária. Portugal presidiu a UE por 3 vezes; na Presidência de 1992 adotou um papel administrativo, visando essencialmente, a coesão social e económica, assumindo uma postura “Low profile”, com a preocupação constante em demonstrar que era capaz de gerir e coordenar. Focou-se nas implicações diretas da política doméstica, essencialmente, na modernização do País, dai o interesse pela Política Agrícola Comum (PAC), e pelo Pacote Delors. Segundo os autores, este início caracterizou-se por uma estratégia competitiva, de acomodação e de adaptação do ponto de vista sociológico. A Construção da UE erguer-se sob a forma do Tratado de Maastricht, (TM ou TUE), que foi a pedra mestre no processo de construção da UE e do futuro ordenamento jurídico, é assinado a 07FEV1992 e entra em vigor no ano seguinte. Em sentido restrito, o TM assenta em 3 temas essenciais; a Comunidade Europeia; a Politica Externa e de Segurança; e na Cooperação Policial e Judiciária em matéria penal. Posteriormente, a 02OUT1997 TM é reformado pelo Tratado de Amesterdão, que visa sobretudo resolver questões relacionadas com o alargamento da União. Portugal na Presidência de 2000, num cenário de maior integração, evolui para um equilíbrio entre as preocupações políticas e económicas. Na política externa, atinge o objetivo de aprovação da estratégia de lisboa, conjunto de princípios, que levariam a UE a liderar a economia mundial dentro de uma década. A apresentação do presidente da Comissão Europeia Jacques Santer da “Agenda 2000” marca esse período. Desse modo, em Fevereiro de 2000 inicia-se a Estratégia de Lisboa, que em harmonia com os objetivos da agenda, visa a prossecução dos objetivos estabelecidos no Tratado. A CIG de Nice realiza-se num clima de incerteza e de difícil negociação, que permitiu à Presidência portuguesa desempenhar um papel relevante de liderança dos pequenos e médios estados europeus, na defesa dos seus interesses, mediante a reivindicação das grandes potências, em fortalecerem o seu ónus na consideração de votos. Segundo os autores, Portugal na 2ª Presidência empregou uma estratégia competitiva, procurando obter ganhos relativos, influenciando ligeiramente a agenda mediante o seu interesse, de forma imparcial e sem nunca lacerar a sua reputação. Com a assinatura do Tratado de Nice a 26FEV2001, abre-se o caminho à reforma institucional necessária ao alargamento da União, nomeadamente, a Atenas em 2003. O TN introduz reformas institucionais com impacto na Comissão, Conselho e Parlamento, culminando na proclamação da Carta dos Direitos Fundamentais da UE. O TN previa assim reformas institucionais, visando o projeto de Constituição Europeia, que se efetivou com a assinatura do Tratado Constitucional em Outubro de 2004 e que levou à necessidade de ratificação dos estados membros. Situação que gerou problemas de consenso, ao qual o Conselho Europeu, a 16JUN2005 atua estabelecendo um período de reflexão. Portugal na presidência de 2007, eleva a sua postura de atuação para “High profile”, assumindo um perfil de negociação e de liderança, voltada para a política externa, nomeadamente, no empenho para a aprovação do tratado de Lisboa, herança da Presidência Alemã. Conseguiu mostrar maturidade política no plano interno da UE e presença internacional, desempenhando um papel relevante na fase final do processo das negociações, onde usou uma “estratégia de força”. Por último, demonstrou uma “estratégia de acomodação”, uma vez que, teve de ponderar as suas obrigações europeias na tarefa de negociação e de liderança. Resumindo e atento à tipologia de kirchner, Portugal evoluiu de uma atitude de compromisso em 1992, para uma posição de juiz em 2000, e de agenda setting em 2007. O período de reflexão e incerteza prolongou-se até 2007, sendo que, sob a presidência Alemã garantiu-se um novo consenso para outro tratado constitucional da UE. Deste modo a CIG de Junho de 2007, (Lisboa), inicia o desafio de reforço da UE, através da reforma das instituições e políticas comunitárias; do desenvolvimento de políticas de sustentabilidade e da promoção da coesão económica e social. É na Presidência Portuguesa, durante a cimeira de Chefes de Estado e de Governo, em Outubro de 2007, que se aprova o tratado, estabelecendo critérios de adesão e futuros alargamentos. Neste contexto, a 13DEZ2007, na presença do Presidente do Parlamento Europeu, Hans Pöttering, nasce o Tratado de Lisboa. Este TL ao contrário do TC é um tratado reformador, cujas reformas permitiu à UE obter personalidade jurídica e com isso ganhar relevo no plano internacional. Em bom rigor, o TL é a soma de dois tratados; o Tratado da União Europeia e o Tratado de Funcionamento da União Europeia. O TUE expõe as disposições gerais da UE, definindo objetivos; nomeadamente, disposições relativas aos princípios democráticos; disposições relativas às instituições e disposições específicas relativas à política externa e de segurança comum. O TFUE esclarece a execução dos princípios que estão inscritos no TUE, no que diz respeito às políticas e ações da UE, nomeadamente, à não discriminação e cidadania da UE. O TL consagra os valores base da UE, onde a CDFUE, introduz o princípio da subsidiariedade; o direito de iniciativa popular e o princípio da reversibilidade. Ao nível das instituições, a Comissão aumenta a sua capacidade de intervenção; o Conselho autonomiza-se, (órgão executivo), e os poderes do Parlamento são reforçados; (codecisão), estabelece-se o cargo de Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, e o Vice-presidente da Comissão. Assiste-se ao reforço da posição dos estados membros dentro e fora da UE, onde as novas políticas extensivas de reforço permitem agir em novos domínios, na maior cooperação entre os estados membros na área da defesa, e definição de regras específicas no âmbito da ajuda humanitária, reafirmando os direitos de cidadania europeia e de não discriminação. O TFUE nos seus “Princípios” estabelece os seus objetivos gerais e jurídicos relativos ao TUE, a seguir, define categorias e domínios; a delimitação e as regras de exercício das competências. Explica os diferentes domínios em matéria de competência exclusiva e os domínios em matéria de competência partilhada da UE, com salvaguarda, para a coordenação das políticas económicas de emprego e sociais. Nas disposições de aplicação geral, em matérias de execução das políticas e ações da UE, destaque para a promoção da igualdade entre o homem e a mulher, a promoção de políticas de emprego com vista à proteção social, na educação, formação e proteção da saúde humana. Na segunda parte do FUE estatuísse, nomeadamente, a não discriminação e cidadania da UE; direitos de circulação e permanência no território dos estados membros; capacidade eleitoral ativa e passiva. Por fim prevê a obrigatoriedade, da Comissão apresentar ao Parlamento e ao Conselho, (de 3 em 3 anos), um relatório sobre a aplicação em matéria de direitos e garantias previstas no acima descrito. O TL retomou os tratados anteriores, TR, TM, TA e TN, introduzindo as reformas possíveis para que a UE conseguisse personalidade jurídica, permitindo-lhe assinar Tratados Internacionais, ser governável num quadro político alargado, ter um Presidente e um Alto Representante para a Política Externa e de Segurança. Por conseguinte, o TL introduziu um conjunto de alterações significativas, criando um sistema de Presidência misto e rotativo, concomitantemente, supranacional ao nível do Conselho Europeu e da formação do Conselho de Negócios Estrangeiros. Passou a reconhecer a cada estado membro a liberdade de poder sair da UE (ex.:Brexit) e reforça os Direitos dos Cidadãos da UE, tipificando nas suas disposições os “Princípios” da CDFUE. Aumenta a representatividade dos Cidadãos, permitindo-lhes apresentarem novas propostas políticas para a UE. O TL determina ainda a constituição de um órgão composto por um grupo pequeno de estados membros, com poder decisório na política europeia de segurança e defesa. O TL é a base orientadora da ação da UE, que visa solidariamente responder, sobretudo a questões como a Globalização, às Alterações Climáticas, (catástrofes), à Segurança, (terrorismo) e à Energia…

Informações Complementares:
Glossário:
AUE: Ato Único Europeu
BCE: Banco Central Europeu
CDFUE: Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia
CR: Comité das Regiões
CE: Conselho Europeu
CESE: Comité Económico e Social Europeu
CEG: Chefes de Estado e de Governo
CIG: Conferência Intergovernamental
COE: Comissão Europeia
PE: Parlamento Europeu
TA: Tratado de Amesterdão
TR: Tratado de Roma
TC: Tratado Constitucional
TCE: Tribunal de Contas Europeu
TJ: Tribunal de Justiça (composto Tribunal de Justiça, Geral e da Função Publica)
TL: Tratado de Lisboa
TN: Tratado de Nice
TFUE: Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia
TUE: Tratado da União Europeia ou Tratado de Maastricht, (TM)
UE: União Europeia
UEM: União Económica e Monetária
PE: Parlamento Europeu
CUE: Conselho da União Europeia

Funções em sentido restrito,
das Instituições da União Europeia e Órgãos Consultivos:

Parlamento Europeu:
O PE desempenha funções legislativas, no âmbito do processo decisório europeu, com especial relevância no que diz respeito ao Orçamento da UE.
Conselho Europeu:
Tornou-se órgão institucional após o TL, é o centro de discussão ao mais alto nível da União Europeia, define orientações e prioridades políticas gerais da União.
Conselho da União Europeia:
O Conselho reúne os ministros de todos os Estados-Membros com competência num determinado domínio. O Conselho partilha a função legislativa da União com o PE. É colegislador, adotando atos legislativos diversos; ex.: regulamentos, diretivas. Contribui para a coordenação das políticas dos Estados-Membros, designadamente, em matéria económica; celebra acordos internacionais; aprova as decisões necessárias à execução da política externa e de segurança comum, respeitando as orientações do CE, (exercício rotativo de 6 meses).
Comissão Europeia:
É o órgão executivo da União criado pelo Tratado CECA. Defende o interesse comum, independentemente dos interesses dos Estados-Membros. Participa no processo de decisão, nomeadamente, apresentando propostas de legislação europeia e supervisionando a sua aplicação. Gere as políticas comuns e o orçamento da União.
Tribunal de Justiça da União
O TJ exerce as funções de fiscalização da legalidade dos atos das instituições da União Europeia; assegura o respeito, pelos Estados-Membros, das obrigações decorrentes dos Tratados e interpreta o Direito da União a pedido dos juízes nacionais. O TJ é composto por três jurisdições: o Tribunal de Justiça, o Tribunal Geral e o Tribunal da Função Pública.
Tribunal de Contas Europeu
O TCE é um órgão independente, decidindo livremente a organização das auditorias. Por missão tem o controlo da legalidade e das despesas da UE e das suas instituições, visando a eficácia da gestão financeira da União. Para tal elabora uma declaração sobre as contas da União Europeia. Emite pareceres das implicações financeiras de uma proposta ou ato legislativo das instituições. Sem poder jurisdicional próprio, após emitir os pareceres e efetuar as auditorias envia os relatórios às instituições competentes da UE.
Banco Central Europeu
O BCE é o banco responsável pelo euro. Trabalha em conjunto com os outros 19 bancos centrais dos estados membros que aderiram ao euro, preservando a estabilidade de preços, estabelecendo taxas de juro e realizando operações de câmbio.
Comité Económico e Social Europeu
O CESE é um organismo da UE de caráter consultivo, composto por representantes dos setores da vida económica, social e cultural dos Estados Membros servindo de elo de ligação entre as instituições da UE e as organizações da sociedade civil dos Estados.
Comité das Regiões:
 O CR é um órgão consultivo composto por representantes locais e regionais da UE. A sua criação visa a defesa dos interesses locais e regionais das decisões da União e pondo em prática o princípio da subsidiariedade, sem por em causa a competência exclusiva das instituições europeias.

BIBLIOGRAFIA

Monografias:

TEIXEIRA, Nuno Severiano e HERMENEGILDO, Reinaldo Saraiva. “As presidências portuguesas da União Europeia. Relações Internacionais” [online]. 2015, n.48, (pp.61-78). ISSN 1645-9199.

PÉRES-BUSTAMANTE, Rogélio e COLSA, Juan Manuel Urubu – “HISTÓRIA DA UNIÃO
EUROPEIA”, Coimbra Editora, Dezembro 2004, ISBN 972-32-1291-9, (pp.143-276);

SILVA, António Martins da, “HISTÓRIA DA UNIFICAÇÃO EUROPEIA”, “A Integração
Comunitária” (1945-2010), Universidade de Coimbra, Junho de 2010, ISBN 978-989-26-0057-4, (pp. 210- 301).

A grande falácia pejorativa da história económica Portuguesa



O presente texto incidirá sobre o conceito de desenvolvimento económico, crescimento económico, na diferença entre ambos, e nos seus indicadores de medição, atento ao período compreendido entre 1926 a 1974, que coincide com o final da 1ª República, (revolução de 28 de Maio de 1926), e implementação do regime do Estado Novo.
Em sentido restrito, os textos retratam a avaliação do desenvolvimento económico português da época, através da educação, aspeto social e crescimento económico, (PIB Per Capita). A fundamentação é baseada em fatores como, o desemprego, a guerra colonial, a emigração, a neutralidade na II Grande Guerra, a acumulação de capitais, a industrialização, urbanismo, o analfabetismo, o ciclo vicioso da pobreza, a fraca política de investimento no capital humano e o desinteresse politico no desenvolvimento regional.
O desenvolvimento económico é amplamente abrangente e pode ser compreendido como um processo de transformação das estruturas socioeconómicas, que se traduz na melhoria e bem-estar geral da população. Este D.E. pode ser medido através de determinados indicadores, nomeadamente, através da educação, saúde, rendimento, pobreza; entre outros. Atualmente o I.D.H. é o critério escolhido na comparação do desenvolvimento das diferentes economias. Atualmente, o desenvolvimento dos países e regiões é entendido como sinonimo de crescimento económico, que é irreversível e perdura no tempo. Apesar de essa ideia não estar totalmente certa, (pois tanto o D.E, como o C.E. são reversíveis), a ideia é na maioria das vezes verdadeira, já que, é do crescimento económico que nasce as circunstâncias para a distribuição de riqueza, efetivando a equidade entre os diferentes grupos sociais.
Nas economias nacionais, as instituições mais relevantes são normalmente a estrutura social, a natureza do Estado, as ideologias religiosas ou outras das classes dominantes das massas. Embora exista outras instituições de menor valor, como associações voluntárias, sindicatos, estrutura familiar e outros agentes formadores de valores que também influenciam o D.E.
Contrariamente, o crescimento económico é mais restrito, traduz-se no aumento do P.I.B., ou seja, no aumento de produção duma determinada região, sendo calculado através da soma de todos os produtos e serviços finais, num determinado período. Saliente-se ainda que, nas comparações de nível de vida, o C.E. só é significativo se for medido em termos de produção “per capita”. O C.E. pode acompanhar o crescimento da população conforme demonstra a expansão física e económica da civilização europeia. Como pode também não acompanhar, atento à chamada ”lei da produtividade marginal decrescente”, por exemplo, à medida que vão sendo contratados novos trabalhadores, até determinado ponto, o produto marginal aumenta, contudo à medida que os trabalhadores vão aumentando, estes podem interferir no trabalho uns dos outros, originando uma diminuição do produto marginal; ou seja, por existir crescimento da população não significa que haja mais C.E. (lei dos rendimentos decrescentes).
Segundo o autor R. Cameron, não há uma correlação clara entre industrialização e o crescimento global da população, mas defende que é bastante forte e evidente a relação entre o desenvolvimento industrial e o aumento da população urbana. Nesse sentido fatores como a industrialização e urbanismo, surgem como indicadores de C.E.
O processo de D.E. é de tamanha complexidade que não pode ser analisado só pela sua vertente económica. Por isso surge doutrina sobre o assunto, como a do economista referenciado nos textos, o americano Walt Rostow, nascido na Prússia em 1916, a defender que, no processo de rompimento da pobreza cíclica, as sociedades passam por cinco etapas diferentes e sequenciais, para atingir o estado de progresso económico-social; a “Sociedade tradicional”, (técnicas rotineiras e arcaicas de produção, a principal atividade económica é a agricultura), as “Pré- condições para a descolagem”, (a população começa a aceitar e assimilar os conhecimentos científicos e tecnológicos),“a Fase de Arranque”, (o aumento da taxa de investimento líquido produtivo duplica), a “Marcha para a Maturidade”, (domínio da tecnologia e a possibilidade de produção de qualquer bem industrial) e a “Era do Consumo em Massa”, (na qual a população experimenta um alto nível de vida). Da mesma forma surge Kuznets, autor de “Modern Economic Growth” a defender o C.E. sustentado enquanto fenómeno mundial recente, cuja inovação é a aplicação científica de conhecimentos na produção económica.
 Resumidamente, através do quadro na página 512, verifica-se um C.E. entre 1930 e 40, quando comparado com a década de 40 a 50, período de retrocesso, influenciado pela guerra colonial. A partir de 1950 a estrutura económica vê uma mudança estrutural nos seus sectores económicos, conhecidos por primário, secundário e terciário; assiste-se nas economias mais avançadas, uma nova mudança do sector secundário para o terciário. Dá-se a mudança da agricultura para as atividades secundárias, com implicações no âmbito da oferta e aumento da produtividade. Tornando possível a obtenção da mesma quantidade de produção com menos mão-de-obra ou mais produção com a mesma quantidade de mão-de-obra. No âmbito da procura, a “Lei de Engel” é importante, na medida em que, quando o rendimento do consumidor aumenta, a proporção desse rendimento gasto em alimentação diminui. Relativamente à produção de bens para os serviços, à medida que o rendimento cresce, a procura de todos os bens aumenta. Assim sendo, entre 1950 a 1973 verifica-se um novo aumento no C.E., cujo é auxiliado também pelo aumento da emigração nos anos 60, que permitiu reduzir o subemprego, sem aumentar o desemprego, (p518). Desse modo, apesar de um balanço final positivo, a falta de investimento no capital humano e o desinteresse no desenvolvimento regional por parte do Estado, não contribuíram para um maior D.E. Caminho diferente tomou a Alemanha e a Suíça quando optaram pelo investimento no desenvolvimento regional e na qualificação da mão-de-obra, revelando-se um verdadeiro sucesso. A região de Ruhr foi fundamental no processo de desenvolvimento industrial Alemão, principalmente, devido à indústria carbonífera. O sucesso da Suíça deveu-se à combinação de uma tecnologia avançada e uma indústria de mão-de-obra intensiva.
Em suma, e atento à obra de W. Rostow “The Stages of Economic Growth” (1960) o D.E. é um processo que se desenvolve e se relaciona com o esforço económico, político e social, fatores que são oriundos do interior da sociedade e que materializam o D.E.

Informações Complementares:

O tema é importante para desmistificar uma grande falácia pejorativa da história económica Portuguesa, que por ser tanta vez repetida, acabou por ser aceite como verdade; claro está que Portugal no Estado Novo era um Pais mais pobre do que é hoje, assim como o resto do mundo, quando comparamos níveis de riqueza entre períodos de tempo, o correto é analisar a situação em termos relativos, ou seja, quanto mais pobres eramos em relação aos restantes países dessa época. Pedro Lains no estudo da evolução do P.I.B. “per capita” português em relação às economias mais desenvolvidas, demonstrou a evolução do P.I.B. “per capita” português em relação a nove economias mais progressistas, nomeadamente, Alemanha, França, Reino Unido. Desse estudo concluiu que, no século XX, o enriquecimento relativo, (cientificamente tratado como convergência), aconteceu entre 1950 e 1973. Durante este espaço temporal o país começou com 38% e termina com um P.I.B. “per capita” equivalente a 60% das economias mais desenvolvidas. Nos anos 30 e 40, não existiu convergência, todavia é imobilizado a trajetória de divergência que vinha desde o início do século XIX. Seguidamente, já em democracia, apenas se verificou durante o século XX, outro período, tão forte como o anterior, foi durante os anos seguintes à segunda intervenção do F.M.I. e entrada de Portugal na C.E.E. Esse enriquecimento relativo estagna nos anos 90 e inverteu no século XXI. Nesse sentido, hoje estamos aos mesmos níveis que estávamos em 1973, em relação às economias mais avançadas.
Em suma, apesar de ser indiscutível do ponto de vista político, o atentado do Estado Novo contra a liberdade, certamente não lhe é devido a atribuição de culpa do empobrecimento do Pais.




Glossário:

I.D.H. - Índice de Desenvolvimento Humano
D.E. – Desenvolvimento Economico
C.E. – Crescimento Economico
P.I.B. – Produto Interno Bruto
P.N.B. – Produto Nacional Bruto
F.M.I. – Fundo Monetário Internacional
C.E.E. – Comunidade Económica Europeia
ONU- Organização das Nações Unidas


Bibliografia
Monografias:

- Rondo Cameron, “História Económica do Mundo” – Mem Martins, Publicações Europa-América, LDA, 2000, (Pp 21 a 34);

- António Barreto e Maria F. Mónica, “Dicionário de História de Portugal, Volume VII”, 1ª Edição 1999, Livraria Figueirinhas; (Pp508 a 518);

- Pedro Lains – “Explorations in Economic History”, 2003; Elsevier “Catching up to the European core: Portuguese economic growth, 1910–1990

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Self Determination and Motivation




Self Determination and Motivation

Self-determination and motivation go hand in hand. When you are determined, often you feel motivated to make things happen, rather than to wait for things to fall in your lap.

In psychological terms, self-determination is theories that presses toward motivation and the processes involve the people that strive on three basic needs. Those needs are relatedness, autonomy, and above all else, competency. Others may think of self-determination, as intrinsic inspiration that embellishes at what time the human needs is satisfied and not compromised. The autonomy of self-determination is the process of building independence, sufficiency, self-rule, and so on. People often build determination on trust, confidence, reliance, faith, hope, beliefs, and needs.

The world leads us into many struggles, which makes it harder for us to fulfill the three basic human needs let alone build self-determination. In order to accomplish this task, however while battling through the chaos is to set one’s self up for success.

The intrinsic theory of self-determination and motivation started with Edward Deci over 30-years earlier. Ed commences exploring the paradoxes of self-determination. Since then over thousands of voiced and written viewpoints has been considered. Behaviorists gave their viewpoints and showed that intrinsic theories show that when people are rewarded for good deeds it increases their natural motivation. When people are rewarded, they often feel contentment and joy as well. Their interest in activities often improve, yet because of these findings behaviorists ventured to ask: do the rewards make people more apt to function when they have extrinsic rewards waiting, or at least think that they have rewards.

While the questions presented thoughtful suggestion for various aspects of living, such as parenting, labor, and school, it still has variant aspects to consider before any true resolves are apparent. Ed posed the question – does a “child’s interest” in a given subject and the expectation of rewarding the child with good cause her or him to develop unintentional intrinsic or extrinsic interests? (Deci et al, 1999)

Edward bent on finding concrete answers ventured to continue the controversy proactive by sending mixed signals that lead to the counterintuitive forecasts. That is contrary to the expectations that are not in accord to these rewards that interact one way or the other. Edward accused intrinsic pleasures of stifling elements to learning. The common theory of self-determination suggests that relatedness, autonomy, and competence inspire motivation.

According to Edward, threats, rewards, all have rigid penalties that accompany the other. Edward believed that rewards only compromised an entity’s autonomy. According to Edward, the development of competence through rewards or threats could cause a person to feel pushed into doing something they ordinary did not want to do. He claims that rewards are often determined about how the individual views the results. He believed that is someone’s innate determination or motivation was compromised then it could cause them to lack self-determination. On the other hand, if the entity viewed the praise or reward as something other than a bribery or threat, thus the entity would likely feel motivated to perform.

This brought some spectators to believe that if an entity is placed in a social, encouraging atmosphere that it is likely that this entity would build self-determination. Parents, teachers, and others are encouraged to support and praise someone’s effort to encourage self-determination. Edward believed that placing a greater emphasis on competence rather the child’s ability to perform for rewards could build self-determination.

Based on the knowledge, we see that building self-determination is also the process of build self-realization. When you combine the two, it builds more productive skills, which ensures that you will succeed in most all of your endeavors.