terça-feira, 10 de junho de 2025

Inteligência Artificial - Vantagens e Desvantagens

 








Inteligência Artificial - Artigos Detalhados

Inteligência Artificial: Vantagens e Desafios

Vantagens da Inteligência Artificial

A inteligência artificial (IA) é um campo que vem despertando cada vez mais interesse e curiosidade. Quando pensamos em IA, muitas vezes surgem imagens de robôs futuristas ou sistemas que aprendem sozinhos. Mas, na prática, a inteligência artificial já está presente em nosso cotidiano, mesmo que muitas pessoas nem percebam. Desde assistentes virtuais como a Alexa e o Google Assistant, até recomendações personalizadas em plataformas de streaming, a IA está transformando a forma como interagimos com o mundo ao nosso redor.

Uma das grandes vantagens da inteligência artificial é a capacidade de aprender e se adaptar rapidamente. Graças ao aprendizado de máquina (machine learning), os algoritmos conseguem analisar milhões de dados em poucos segundos e identificar padrões que seriam impossíveis para um ser humano. Essa habilidade faz com que a IA seja uma ferramenta poderosa em áreas como medicina, onde pode ajudar a identificar doenças raras com uma precisão impressionante.

Por exemplo, hospitais em todo o mundo já utilizam sistemas de IA para auxiliar no diagnóstico de câncer e outras enfermidades. Esses algoritmos podem analisar exames de imagem, como mamografias e tomografias, e encontrar sinais de doenças em estágios iniciais, aumentando significativamente as chances de cura. Isso mostra como a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta tecnológica, mas também uma aliada da vida humana.

Outra vantagem fascinante da IA está no campo da educação. Imagine um sistema que analisa as preferências de aprendizado de cada aluno e cria um plano de estudos personalizado. Isso já é realidade em algumas escolas e universidades, onde plataformas inteligentes oferecem conteúdos sob medida, tornando a aprendizagem mais eficiente e interessante. Essa personalização faz com que cada aluno tenha uma experiência única e adaptada às suas necessidades.

No mundo dos negócios, a IA também desempenha um papel crucial. Empresas de diversos setores utilizam chatbots e assistentes inteligentes para responder a clientes 24 horas por dia. Além de economizar tempo, isso melhora a satisfação do cliente e ajuda as empresas a se tornarem mais competitivas. Plataformas de e-commerce, por exemplo, conseguem recomendar produtos com base no histórico de compras e preferências dos usuários, criando uma experiência de compra única e personalizada.

A inteligência artificial está transformando também a mobilidade urbana. Veículos autônomos, como carros e drones, são impulsionados por sistemas avançados de IA que analisam o ambiente em tempo real. Essa tecnologia promete reduzir acidentes de trânsito e melhorar a eficiência do transporte, o que desperta curiosidade e entusiasmo em todo o mundo.

Para além das aplicações práticas, a IA também nos faz refletir sobre o futuro. O que acontecerá quando máquinas forem capazes de criar arte, compor músicas ou escrever livros? De fato, já existem programas de IA que pintam quadros ou compõem sinfonias, desafiando nossos conceitos de criatividade e originalidade.

Em suma, as vantagens da inteligência artificial vão muito além do que se vê à primeira vista. Elas tocam em aspectos fundamentais de nossa vida e nos convidam a pensar em novas possibilidades. A IA tem o poder de nos libertar de tarefas repetitivas, otimizar processos e até mesmo inspirar a criação artística. Mas, para isso, é essencial que continuemos a explorar essas tecnologias com responsabilidade e curiosidade.

Desvantagens e Desafios da Inteligência Artificial

Embora a inteligência artificial traga inúmeros benefícios, não podemos ignorar os desafios que ela representa. A substituição de empregos por máquinas inteligentes é uma das preocupações mais citadas. Desde fábricas totalmente automatizadas até sistemas de atendimento ao cliente, a IA vem assumindo funções que antes eram exclusivas dos seres humanos. Isso levanta questões urgentes sobre o futuro do trabalho e a necessidade de requalificação profissional.

A privacidade também é um tema delicado. Os algoritmos de IA dependem de dados – e muitos deles são informações pessoais e sensíveis. Quando usamos aplicativos que recomendam filmes ou músicas, por exemplo, estamos compartilhando dados que alimentam esses sistemas. Essa coleta de informações precisa ser transparente e ética, pois pode haver riscos de abuso e vazamento de dados.

Outro ponto que merece atenção é o viés algorítmico. Algoritmos são tão imparciais quanto os dados que os alimentam. Se esses dados tiverem preconceitos, o sistema de IA pode acabar reproduzindo discriminação. Um caso emblemático foi o de softwares de reconhecimento facial que apresentavam maior taxa de erro para pessoas negras. Isso evidencia a necessidade de diversidade e representatividade na criação de algoritmos e bancos de dados.

A dependência excessiva da IA também pode comprometer nossa autonomia. Se passamos a confiar demais em sistemas automatizados para tomar decisões, podemos perder a capacidade crítica e a criatividade. A IA deve ser vista como ferramenta de apoio e não como substituto do raciocínio humano.

Além disso, há o perigo do uso mal-intencionado da IA. Tecnologias como deepfakes podem criar vídeos falsos realistas, capazes de manipular informações e causar confusão em larga escala. Em um mundo onde as “fake news” já são um desafio, a IA pode amplificar ainda mais o problema se não for regulamentada de forma adequada.

Por outro lado, esses desafios também estimulam a curiosidade e o debate. Eles nos obrigam a pensar em como equilibrar inovação e responsabilidade. Como garantir que a IA seja uma força de progresso e não de destruição? Como educar as novas gerações para usar a IA de forma ética e criativa? São perguntas que não têm respostas fáceis, mas que precisamos continuar explorando.

Em resumo, a IA é fascinante e repleta de possibilidades, mas traz consigo desafios que precisam ser enfrentados com seriedade. Ela nos faz olhar para o futuro com admiração e, ao mesmo tempo, com cautela. Para quem tem curiosidade sobre o tema, essas questões são um convite para estudar, debater e participar ativamente das decisões que moldarão nosso mundo nas próximas décadas.

Referências (Norma APA 7ª edição)

DeepMind. (n.d.). DeepMind. Recuperado em 11 de junho de 2025, de https://deepmind.google/

Google. (n.d.). Google AI. Recuperado em 11 de junho de 2025, de https://ai.google/

IBM. (n.d.). IBM Watson. Recuperado em 11 de junho de 2025, de https://www.ibm.com/watson

OpenAI. (n.d.). OpenAI. Recuperado em 11 de junho de 2025, de https://openai.com/

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Panorama aprofundado das ideias do Professor Adriano Moreira sobre conflitos na Europa

 




Os Conflitos e a Identidade Europeia 


Adriano Moreira abordou a questão da identidade europeia como um fator determinante na formação dos Estados e na estabilidade do continente. Para ele, a Europa sempre se caracterizou por uma tensão entre unidades nacionais e uma identidade comum em construção. O autor argumentava que a identidade europeia não é apenas um conceito cultural, mas também político e estratégico, influenciado por forças externas e internas.

A crise de identidade da Europa foi exacerbada pelos conflitos internos, desde as Guerras Napoleônicas até as Grandes Guerras do século XX. Segundo Moreira, o Tratado de Versalhes (1919) e o Tratado de Yalta (1945) representaram tentativas de reconfiguração do continente, mas falharam em consolidar uma paz duradoura. A divisão da Europa durante a Guerra Fria reforçou as linhas de fratura dentro do continente, dificultando a formação de uma identidade unificada.

A integração europeia, a partir do Tratado de Roma (1957), foi vista por Moreira como uma tentativa de superar esses desafios, criando uma estrutura institucional que garantisse estabilidade e prevenisse novos conflitos. No entanto, ele alertava para as dificuldades de conciliar interesses nacionais divergentes e consolidar um patriotismo constitucional que substituísse as lealdades tradicionais aos Estados nação.

As Fronteiras da Europa e a Geopolítica da Guerra

Para Adriano Moreira, as fronteiras da Europa são um dos elementos centrais para compreender a dinâmica dos conflitos no continente. Ele argumentava que as fronteiras europeias não são meras delimitações geográficas, mas sim construções históricas, culturais e políticas que refletem as relações de poder entre Estados e blocos rivais.

A desintegração da Iugoslávia e o colapso da União Soviética nos anos 1990 trouxeram à tona questões fundamentais sobre a reorganização das fronteiras europeias. Para Moreira, esses eventos demonstraram que o modelo de fronteiras estabelecido no pós-guerra estava longe de ser definitivo, uma vez que identidades nacionais e rivalidades históricas continuavam a influenciar os acontecimentos políticos e militares.

A expansão da União Europeia e da OTAN para o Leste Europeu foi outro ponto abordado por Moreira. Ele via essa expansão como uma tentativa de consolidar a segurança no continente, mas alertava para os riscos de uma reação adversa por parte da Rússia, cujos interesses estratégicos estavam sendo diretamente afetados. A Guerra da Ucrânia, iniciada em 2014 e intensificada em 2022, confirmou suas preocupações, evidenciando que as disputas de fronteira ainda desempenham um papel crucial na política europeia contemporânea. A verdade é que este território ainda está em luta pela sua definição, sendo que, na sua essência o povo em disputa é o mesmo, por isso  um conflito sem fim à vista, na esperança que os interesses econômicos e militares americanos possam interceder e por fim à guerra. 

O Papel das Alianças Militares na Guerra Europeia

Adriano Moreira analisou extensivamente o papel das alianças militares na segurança europeia. Ele destacou que a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi criada em 1949 como uma resposta às ameaças percebidas da União Soviética, estabelecendo um sistema de defesa coletiva que garantiria a segurança dos Estados membros.

Com o fim da Guerra Fria, Moreira observou que a NATO passou por um processo de adaptação, deixando de ser apenas uma aliança defensiva para se tornar um ator ativo na política internacional. As intervenções militares nos Bálcãs nos anos 1990 e no Afeganistão após 2001 foram exemplos dessa nova postura, que ele via como uma tentativa de redefinir o papel da aliança na ordem global.

A relação entre a NATO e a União Europeia também foi um ponto central na análise de Moreira. Ele argumentava que a construção de uma política de defesa europeia independente era um desafio complexo, dada a dependência militar dos países europeus em relação aos Estados Unidos. A crise ucraniana evidenciou essa realidade, com os países europeus dependendo fortemente do apoio da NATO para conter a agressão russa.

Reflexões Finais

As contribuições de Adriano Moreira sobre a guerra na Europa continuam a ser fundamentais para compreender os desafios enfrentados pelo continente. Seu trabalho oferece uma visão abrangente sobre a interseção entre identidade, fronteiras e alianças militares, destacando a complexidade das relações internacionais na região.

A sua perspectiva académica não apenas contextualiza os eventos históricos, mas também serve como um guia para entender os desafios contemporâneos, como a ascensão de nacionalismos, a reconfiguração das alianças militares e o papel da União Europeia na estabilidade global. Moreira enfatizava que, para garantir a paz e a segurança no continente, seria necessário um equilíbrio delicado entre a cooperação institucional e o respeito às particularidades nacionais.


Bibliografia


Moreira, A. (1974). A Europa em Formação. Lisboa: Edições Livros Horizonte.


Moreira, A. (1991). "Situação Internacional Portuguesa". Revista Militar.


Moreira, A. (2005). "As Fronteiras da Europa". Não e a Nação.


NATO (2022). The Role of NATO in European Security.


Treaties of Versailles (1919) and Yalta (1945), Historical Archives.



Profissão de Manicure: Uma Análise Abrangente

 







Tipos de Unhas de Gel e a Profissão de Manicure: Uma Análise Abrangente

A indústria da beleza tem testemunhado um crescimento notável nas últimas décadas, com a manicure emergindo como uma profissão de destaque. Entre os serviços mais procurados, as unhas de gel se destacam pela durabilidade e estética. Este artigo explora os diferentes tipos de unhas de gel, o perfil demográfico das clientes que buscam esses serviços, os rendimentos médios das manicures e as oportunidades de crescimento profissional na área, além de apresentar exemplos de trabalhos elogiados no setor.

Tipos de Unhas de Gel

As unhas de gel são apreciadas por sua resistência e aparência natural. Existem vários tipos, cada um com características específicas:

  1. Gel UV/LED: Este gel é aplicado em camadas finas e endurecido sob luz UV ou LED. Proporciona um acabamento brilhante e natural, sendo ideal para quem busca reforçar as unhas naturais sem alongá-las.

  2. Gel de Construção (Hard Gel): Mais espesso que o gel UV/LED, é utilizado para alongar as unhas, permitindo a criação de extensões duráveis e personalizadas.

  3. Polygel: Combina as melhores características do gel e do acrílico. É moldável, leve e resistente, oferecendo flexibilidade na aplicação e um acabamento natural.

  4. Gel de Fibra de Vidro: Utiliza pequenas fibras de vidro para reforçar e alongar as unhas. É uma opção para quem busca unhas finas, porém resistentes.

  5. Gel de Banho: Aplicado diretamente sobre a unha natural, sem extensões, serve para fortalecer e proteger, proporcionando um brilho discreto.

Perfil Demográfico das Clientes de Manicure

Compreender o perfil das clientes é essencial para oferecer serviços personalizados. Estudos indicam que a idade das clientes varia amplamente. Por exemplo, uma pesquisa realizada na região oeste do Paraná, Brasil, revelou que a idade das participantes variou entre 18 e 60 anos, com média de 36,7 anos. Além disso, a população acima de 60 anos tem crescido significativamente e continua a valorizar cuidados estéticos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2050, essa faixa etária representará um terço da população brasileira, indicando um mercado potencial em expansão para serviços de manicure direcionados a seniores.

Rendimentos Médios das Manicures

Os rendimentos das manicures variam conforme a região, experiência e modelo de trabalho (autônomo ou empregado). No Brasil, muitas profissionais trabalham por comissão, sem vínculo empregatício formal. Estudos apontam que algumas manicures chegam a trabalhar mais de 12 horas por dia, muitas vezes sem benefícios trabalhistas. Em termos de remuneração, uma pesquisa realizada em Minas Gerais revelou que 74,3% das manicures trabalhavam sem vínculo legal oficial, o que impacta diretamente seus rendimentos e direitos trabalhistas.

Possibilidades de Expansão Profissional

A profissão de manicure oferece diversas oportunidades de crescimento:

  1. Especialização: Aprimorar-se em técnicas avançadas, como nail art, alongamentos e cuidados específicos, pode diferenciar a profissional no mercado.

  2. Participação em Competições: Concursos de unhas são plataformas para demonstrar habilidades e ganhar reconhecimento. Eventos como o Nailympia oferecem oportunidades para profissionais exibirem sua criatividade e técnica, além de possibilitarem networking e aprendizado.

  3. Educação e Mentoria: Após adquirir experiência, muitas manicures optam por ensinar, oferecendo cursos e workshops para novas profissionais. Por exemplo, Viktoriia Klopotova, renomada profissional com quase 30 anos de experiência, ministra master classes exclusivas para manicures e designers de unhas, compartilhando seu vasto conhecimento.

  4. Empreendedorismo: Abrir um salão próprio ou uma esmaltaria permite maior controle sobre o negócio e potencial de lucro. Estudos de viabilidade indicam que, com planejamento adequado, é possível estabelecer um negócio sustentável na área de beleza.

Exemplos de Trabalhos Elogiados no Setor

Muitas manicures têm se destacado internacionalmente devido à qualidade e criatividade de seus trabalhos. Alguns exemplos incluem:

  • Kirsty Meakin: Reconhecida mundialmente por suas criações inovadoras em nail art, Kirsty desenvolve designs altamente detalhados e tem sido premiada em diversas competições de unhas.

  • Viktoriia Klopotova: Especialista em unhas esculpidas e técnicas avançadas de alongamento, Viktoriia já treinou milhares de profissionais e é referência em campeonatos mundiais.

  • Max Estrada: Criador da marca Bio Sculpture, Max desenvolveu técnicas sustentáveis para a aplicação de unhas de gel, recebendo elogios por sua abordagem inovadora e ecológica.

  • Tom Holcomb (in memoriam): Um dos pioneiros na indústria de unhas esculpidas, Holcomb venceu inúmeras competições internacionais e suas técnicas continuam a influenciar manicures em todo o mundo.

Desafios da Profissão

Apesar das oportunidades, a profissão de manicure apresenta desafios significativos:

  • Saúde Ocupacional: O manuseio constante de produtos químicos e posturas inadequadas podem levar a problemas de saúde. É crucial que as profissionais adotem medidas de segurança, como o uso de equipamentos de proteção individual e pausas regulares para alongamento.

  • Reconhecimento Profissional: A falta de formalização e benefícios trabalhistas é uma realidade para muitas manicures. A busca por regulamentação e direitos é essencial para a valorização da profissão.

Conclusão

A profissão de manicure é dinâmica e oferece múltiplas oportunidades para quem busca crescimento e reconhecimento. Com a especialização em técnicas como as unhas de gel, participação em competições e investimento em educação contínua, as profissionais podem alcançar destaque no mercado. No entanto, é fundamental estar atento aos desafios da profissão e buscar constantemente a valorização e formalização do trabalho.

Bibliografia

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Conflitos bélicos na Europa

 





Os conflitos bélicos na Europa ao longo da história desempenharam um papel significativo na reconfiguração das fronteiras políticas, na redefinição de identidades nacionais e, mais recentemente, no desencadeamento de fluxos massivos de emigração forçada. Desde as guerras mundiais do século XX até os conflitos recentes, como os ocorridos nos Balcãs e na Ucrânia, milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, criando desafios humanitários, econômicos e sociais para os países de origem, de trânsito e de acolhimento.

Este trabalho busca explorar a relação entre os conflitos bélicos na Europa e as emigrações forçadas, destacando as principais causas desses fenômenos e seus efeitos sobre as populações deslocadas. Além disso, será analisada a resposta da comunidade internacional, especialmente no que se refere à proteção dos refugiados e ao acolhimento de migrantes. Para tanto, o estudo abordará, de maneira cronológica e temática, as principais guerras na Europa e suas consequências para os movimentos migratórios.

1. Conflitos Bélicos no Século XX e suas Consequências

O século XX foi marcado por dois grandes conflitos que devastaram a Europa: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Esses conflitos foram responsáveis pela morte de milhões de pessoas e pela destruição de grande parte das infraestruturas europeias, resultando em uma das maiores crises humanitárias da história.

A Primeira Guerra Mundial, com o uso massivo de novas tecnologias militares, alterou drasticamente o cenário político europeu, levando à queda de impérios e ao surgimento de novos estados-nacionais. A guerra também desencadeou um êxodo significativo de civis, especialmente daqueles que viviam em zonas de fronteira e regiões ocupadas por exércitos invasores. Ao final do conflito, os deslocados enfrentaram uma Europa politicamente fragmentada e economicamente destruída (Mazower, 1998).

Já a Segunda Guerra Mundial teve impactos ainda mais devastadores. Além da destruição material, a guerra foi marcada pela perseguição sistemática a minorias, em especial aos judeus, resultando no Holocausto. Milhões de pessoas foram deslocadas tanto pela violência da guerra quanto pelas políticas de perseguição racial e étnica do regime nazista. O fim do conflito levou à criação de diversas convenções internacionais, como a Convenção de Genebra de 1951, que buscava oferecer proteção aos refugiados (Betts, 2013).

A Guerra Fria, que sucedeu a Segunda Guerra Mundial, trouxe consigo outros tipos de conflitos, muitos deles de caráter indireto, mas que também geraram migrações forçadas. Os regimes autoritários no Leste Europeu e as revoltas populares, como a Revolução Húngara de 1956 e a Primavera de Praga em 1968, forçaram milhares de pessoas a buscar refúgio em países ocidentais (Stone, 2004).

2. As Guerras dos Balcãs e o Impacto nas Migrações

Com o fim da Guerra Fria, novos conflitos surgiram na Europa, sendo os mais significativos aqueles relacionados à desintegração da Iugoslávia. Entre 1991 e 2001, uma série de guerras civis e conflitos étnicos devastaram a região dos Balcãs, resultando em centenas de milhares de mortes e no deslocamento de milhões de pessoas.

Os conflitos nos Balcãs foram caracterizados por episódios de "limpeza étnica", onde grupos minoritários foram sistematicamente expulsos de determinadas regiões. O cerco de Sarajevo e o massacre de Srebrenica são exemplos emblemáticos das atrocidades cometidas durante esses conflitos. Ao final da guerra, a Europa enfrentou uma das maiores crises de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, com milhões de pessoas buscando asilo em outros países europeus (Glenny, 1996).

A resposta da comunidade internacional aos conflitos dos Balcãs foi criticada por sua lentidão e ineficácia, tanto no campo diplomático quanto no humanitário. Embora intervenções militares, como a Operação Deliberate Force da OTAN, tenham ajudado a encerrar os conflitos, o processo de reconstrução e reassentamento dos refugiados foi longo e difícil. A criação do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia foi um marco importante no esforço para garantir justiça às vítimas das atrocidades cometidas (Chomsky, 1999).

3. Conflito na Ucrânia e a Crise de Refugiados na Europa Contemporânea

O conflito na Ucrânia, iniciado em 2014 com a anexação da Crimeia pela Rússia e a subsequente guerra no leste do país, representa um dos mais recentes e dramáticos exemplos de como os conflitos bélicos na Europa continuam a provocar emigrações forçadas. Estima-se que mais de 1,5 milhão de pessoas tenham sido deslocadas internamente dentro da Ucrânia, enquanto centenas de milhares buscaram refúgio em outros países europeus (Marten, 2014).

A invasão russa em 2022 exacerbou ainda mais essa crise, gerando uma nova onda de refugiados em toda a Europa. A rapidez e a escala do deslocamento populacional lembraram as migrações massivas provocadas pela Segunda Guerra Mundial. Países vizinhos, como Polônia e Hungria, tornaram-se os principais destinos para os refugiados ucranianos, levando a uma resposta humanitária em larga escala, coordenada pela União Europeia e outras organizações internacionais (Toal & O'Loughlin, 2022).

Apesar da solidariedade inicial demonstrada por muitos países europeus, a chegada massiva de refugiados também gerou tensões políticas internas, especialmente em países que já enfrentavam desafios relacionados à imigração. O conflito ucraniano, além de ressaltar a fragilidade das fronteiras políticas europeias, trouxe à tona debates sobre a responsabilidade internacional em relação ao acolhimento de refugiados e a proteção de seus direitos.

4. Desafios Atuais e Respostas Internacionais

Os conflitos bélicos na Europa, ao longo de sua história, revelam uma conexão intrínseca com os fenômenos migratórios. No entanto, a forma como a comunidade internacional lida com esses fluxos forçados de pessoas evoluiu significativamente. A Convenção de Genebra de 1951 e seu Protocolo de 1967 foram marcos importantes na proteção dos refugiados, estabelecendo normas e princípios que regem o direito ao asilo e o tratamento de deslocados (Betts, 2013).

No entanto, os desafios permanecem. O número crescente de refugiados, tanto por razões de conflito quanto por motivos econômicos e ambientais, pressiona os sistemas de acolhimento dos países europeus. Além disso, o aumento de movimentos populistas e xenófobos em vários países europeus tem dificultado a implementação de políticas mais acolhedoras e integradoras para refugiados e migrantes.

A cooperação internacional e o fortalecimento das instituições de proteção de direitos humanos são essenciais para enfrentar esses desafios. Além disso, é fundamental promover o desenvolvimento de políticas de prevenção de conflitos e de reconstrução pós-guerra que possam reduzir a necessidade de deslocamentos forçados e garantir a segurança e dignidade das populações afetadas.

5. A Guerra Russo-Ucraniana: Realidade Atual e Perspectivas

A invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, marcou o mais grave conflito bélico em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Além da devastação militar e humanitária no campo de batalha, o conflito gerou uma crise de refugiados em proporções sem precedentes. Estima-se que mais de 8 milhões de ucranianos tenham fugido de suas casas, tanto para outras regiões dentro da Ucrânia como para países vizinhos e outras partes do mundo (UNHCR, 2023). A União Europeia, que se viu na linha de frente do acolhimento desses refugiados, respondeu com medidas emergenciais, como a ativação da Diretiva de Proteção Temporária, permitindo a entrada e estadia legal de ucranianos nos Estados-membros por até três anos.

Entretanto, o prolongamento do conflito trouxe desafios adicionais, incluindo a sobrecarga de recursos em países de acolhimento, a polarização política em torno da imigração e a exaustão emocional das populações locais. Além disso, a crise energética e alimentar global, exacerbada pelas sanções internacionais contra a Rússia e pelo bloqueio de importantes exportações agrícolas da Ucrânia, ampliou as dificuldades econômicas no continente, afetando diretamente a capacidade de resposta humanitária (Chaban, et al., 2022).

Enquanto as tentativas diplomáticas para encerrar o conflito continuam, a realidade é que o futuro dos milhões de refugiados ucranianos permanece incerto. Muitos enfrentam um dilema difícil: retornar para suas casas em ruínas em zonas de guerra ou tentar construir uma nova vida nos países de acolhimento, onde questões de integração, emprego e adaptação cultural são desafios constantes (Toal & O'Loughlin, 2022). A comunidade internacional, portanto, deve continuar a fornecer suporte robusto tanto aos deslocados quanto às nações que os acolhem, além de trabalhar para uma solução política que ponha fim ao conflito e restaure a estabilidade na região.

Conclusão

Os conflitos bélicos na Europa têm sido um fator crucial na geração de emigrações forçadas ao longo dos séculos. Desde as guerras mundiais até os conflitos mais recentes, milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em busca de segurança e melhores condições de vida. A resposta da comunidade internacional, embora importante, muitas vezes se mostrou insuficiente diante da magnitude dos desafios humanitários.

À medida que novos conflitos surgem, como o caso da Ucrânia, torna-se imperativo que os estados e as organizações internacionais aprimorem suas estratégias de acolhimento e proteção de refugiados, garantindo que os direitos fundamentais dessas populações sejam respeitados.

Referências

Betts, A. (2013). Survival migration: Failed governance and the crisis of displacement. Cornell University Press.

Chaban, N., Bain, J., & Oleksiyenko, A. (2022). The Ukraine crisis: Regional responses and the role of the EU. Journal of Contemporary European Studies, 30(3), 347-365. https://doi.org/10.1080/14782804.2022.2084372

Chomsky, N. (1999). The new military humanism: Lessons from Kosovo. Common Courage Press.

Glenny, M. (1996). The fall of Yugoslavia: The third Balkan war. Penguin Books.

Marten, K. (2014). Putin's Crimea invasion: The beginning of the end for Eurasian integration? Post-Soviet Affairs, 30(4), 279-308. https://doi.org/10.1080/1060586X.2014.942542

Mazower, M. (1998). Dark continent: Europe's twentieth century. Vintage.

Stone, D. (2004). The liberation of the camps: The end of the Holocaust and its aftermath. Yale University Press.

Toal, G., & O'Loughlin, J. (2022). Russia's war in Ukraine: Geopolitics, identity, and conflict. Oxford University Press.

UNHCR. (2023). Ukraine situation. United Nations High Commissioner for Refugees. Recuperado de https://www.unhcr.org/ukraine-emergency

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Criptomoedas e a Mineração

 

 Criptomoedas e a Mineração



 

Em sentido genérico, uma cripto moeda é dinheiro, como as moedas que habitualmente transacionamos no nosso cotidiano, com uma diferença fundamental é inteiramente digital. Este tipo de dinheiro não é emitido por nenhum governo, como o caso do euro ou do dólar, chamadas moedas fiduciárias.

O conceito tácito das cripto moedas foi abordado em 1998 por por Wei Dai, onde propôs utilizar a criptografia para verificar a realização de transações com um tipo novo de dinheiro. A grande consequência desse novo conceito é que ao ser posto em prática, não existe mais a necessidade de existir uma autoridade central controladora como acontece com as moedas convencionais.

Na realidade as cripto moedas são usadas com os mesmos destinos da moeda física, assumindo três funções fundamentais, facilita as transações comerciais como meio de troca, para a proteção do poder de compra no futuro através da reserva de valor e também como unidade contábil, quando os produtos são tabelados e o cálculo financeiro é realizado em função dela. Atualmente, o Bitcoin ainda não alcançou o estatuto de unidade de conta, por conta da grande volatilidade que a sua cotação está sujeita.

Aqui chegados, importa perceber como é realizada a produção deste tipo de dinheiro digital, sendo que para isso é preciso abordar o assunto da mineração.

No sentido de aprofundar o tema da mineração, é preciso saber que as moedas digitais, como o bitcoin, reproduzem um código complexo que não pode ser alterado, porque as transações são protegidas pela criptografia. Desse modo, como não existe uma autoridade que acompanhe as transações, estas precisam de ser registadas, validadas individualmente por um grupo de pessoas, ou melhor pelos seus computadores que estão a resolver os cálculos matemáticos gravando-as no denominado blockchain. Este ultimo, mais não é do que um registro enorme de banco de dados públicos, das transações realizadas em cada unidade de bitcoin, sendo que as outras moedas também se baseiam no mesmo principio tecnológico.

Todas as transações são únicas, quem regista essas transações são os mineradores, que oferecem a capacidade de processamento dos seus computadores para realizar, registar e conferir as operações em troca de remuneração de novas unidades de criptomoedas.

Pelo exposto, designadamente o bitcoin é criado mediante a utilização de uma rede formada por milhares de computadores, a resolver problemas matemáticos complexos que verificam e validam as transações contidas no blockchain.

Resumidamente, a mineração é a produção de novas unidades de moedas digitais, sendo que, à semelhança da extração de oiro da terra, quanto mais computadores são usados para o aumento da capacidade de processamento na mineração os problemas matemáticos ficam cada vez mais difíceis de resolver, ou seja, isso acontece precisamente para limitar o processo de mineração, sendo o bitcoin como o ouro um bem finito, conforme abordado mais frente.

Importa referir que, apesar de o bitcoin ser a moeda digital mais conhecida existe uma variedade de outras moedas com características bem distintas.

O bitcoin, (BTC) é a mais reconhecida das moedas digitais, tendo sido o primeiro sistema de pagamentos global completamente descentralizado.

Em plena crise financeira global de 2008, lançada pelo colapso no mercado americano, é esboçado este sistema com o objetivo de eliminar o dinheiro papel e a necessidade da banca intermediar as operações financeiras. A primeira prova deste conceito foram aludidos num artigo assinado por Satoshi Nakamoto, pseudônimo de um programador ou de um grupo de programadores, que até hoje não foram identificados. Este grupo de programadores criou a logica de funcionamento do blockchain, que permitiu a existência do bitcoin, tendo sido ainda estabelecido um limite máximo de 21 milhões de bitcoins para circulação, cujo limite se prevê ser atingido com a última moeda minerada no ano de 2140.

Numa tentativa de aperfeiçoar o bitcoin original surge o bitcoin cash, (BCH) em agosto de 2017, assim o bitcoin original que contava com taxas mais elevadas e maior tempo no processamento de cada operação; é aprimorado pelo bitcoin cash que permitiu um limite de de bloco de 8 mb, maior que o de 1 mb do original, o que facilitou a confirmação de transações de forma mais rápida e com taxas mais baixas. O processo de funcionamento é semelhante ao original também com um limite de 21 milhões de moedas.

Sobre a moeda do Ether, em 2016 foi detetado por um hacker uma falha no sistema que lhe permitiu furtar 50 milhões de dólares em Ether, o que originou o repensar do futuro da moeda, tendo a comunidade que a mantinha criado uma nova rede, o Ethereum Classic, cuja moeda de popularizou por Ethereum, (ETH). Após o apoio da comunidade esta moeda ficou a valer mais do que a primeira versão, até porque, o Ether moeda original, não fora criado para ser uma moeda digital como o bitcoin, ou seja, a ideia era ser um ativo para recompensar os programadores pelo uso da plataforma Ethereum nos seus projetos. Esta plataforma descentralizada é utilizada para execução de contratos inteligentes; que são operações automatizadas que acontecem quando certas condições são observadas. Como no bitcoin, na base de validação das transações com Ethereum, está também a blockchain garantindo a segurança evitando enganos, cuja criação de novas moedas assenta também no processo de mineração, sendo das criptomoedas mais negociadas do mundo.

Por outro lado, a moeda Tether, (USDT), lançada em 2014 é uma stablecoin, porque tem alicerce na moeda física, ou seja, esta mantem uma paridade com o dólar americano, o que significa que por cada Tether produzido é preciso existir um dólar equivalente em cofre. A principal característica desta moeda é ser uma moeda estável, com menor volatilidade representando as moedas físicas no mundo digital, tornando-se na opção para executar transferências das diferentes cripto moedas pelos sistemas. Esta diferença permite aos investidores se protegerem das várias variações de preços de outros ativos evitando perdas avultadas durante as operações, é negociada essencialmente na bitfinex, uma bolsa de criptomoedas que tem acionistas em comum com a empresa Tether controladora da moeda.

Outra moeda de destaque criada em 2011 é o Ripple, (XRP), que é baseado num protocolo de pagamento a funcionar no sistema XRP, uma das características desta moeda é o suporte de tokens na sua rede, que é a representação de moedas convencionais e outros bens. Este sistema permite realizar pagamentos imediatos e seguros, pensado pelo programador Ryan Fugger, o gestor Chris Larsen e o programador Jed McCaleb, esta moeda é mais que um tipo de dinheiro, é um sistema em que qualquer moeda, como por exemplo, o bitcoin pode ser negociada. Em certa medida de funcionamento o Ripple pode-se comparar com os bancos, porque pode aceitar vários ativos facilitando a realização das transações. Por essas razões o Ripple caminha em sentido oposto ao idealizado pelas restantes moedas digitais, que têm como ideologia a não dependência no sistema financeiro convencional para a realização das operações. Outra forte característica é que não existe um processo de mineração, como concretamente no caso do bitcoin ou Ethereum.

Antes de terminar a abordagem sobre as cripto moedas, é necessário falar ainda de mais uma moeda semelhante ao bitcoin, o litecoin, (LTC), criado em 2011 por um ex-funcionário do Google Charlie Lee, porque tem como característica a redução no tempo da confirmação das transações no processo de mineração, facilitando a participação no processo de criação por qualquer pessoa. Com um processamento mais rápido, esta moeda é o mais indicado na realização da transações do dia-a-dia e ao contrário do bitcoin que funciona como reserva de valor esta moeda tem um limite superior de produção tendo como limite os 84 milhões de moedas.

Em suma, o cripto moedas são ativos, fruto de uma recente tecnologia de logica avançada de funcionamento, sendo que, ainda existe muito por entender na operação das mesmas, contudo oferecem vantagens em relação às moedas físicas e outros meios de pagamento, por exemplo, liberdade de pagamento; tanto a receber, como a pagar é instantâneo, com taxas muito baixas ou até inexistentes, segurança nos dados pessoais aquando dos pagamentos sem os vincular, protegendo assim a identidade e até furtos com a utilização das cópias de segurança através da criptografia. Todas as informações estão registadas na blockchain e nenhuma instituição pode controlar ou manipular o protocolo da moeda digital. Por outro lado, do ponto de vista menos positivo temos a grande volatilidade das moedas que estão na correlação direta do grau de aceitação dos utilizadores, sendo que ainda existe poucos estabelecimentos a aceitar essa forma de pagamento. As cripto moedas estão cada vez mais a ganhar visibilidade, e os analistas de mercado, vislumbram um amadurecimento de mercado com a redução da volatilidade ao longo do tempo.

Após compreender o que são e como funcionam as cripto moedas, mergulhamos no conceito de mineração como suporte ao projeto de turismo rural. Já existem muitas pessoas a utilizar a mineração como forma de suportar, por exemplo, as despesas de manutenção dos condomínios, mas parece-me inovador o conceito de sustentabilidade de um negócio através da mineração.

Segundo Bazan, (2018) há duas maneiras de obter as cripto moedas, ou pela sua compra em site especializado para o efeito ou através do processo de mineração, através de cálculos matemáticos computacionais do hardware para descriptografar novas transações da moeda em um novo bloco, validando-o, inserindo-o no Blockchain, ganhando-o uma recompensa nessa moeda. É portanto essa a decisão de sustentabilidade que se quer implementar no projeto de turismo rural, investir em equipamentos capazes de garantir o ROI, (retorno do investimento), permitindo ainda após essa fase, alimentar o negocio com capital suficiente para que mesmo que o core business não esteja a rentabilizar como se ambiciona, o negocio não fica comprometido, porque é sustentado pela mineração.

Ao longo do tempo, a inovação é notável no que concerne aos equipamentos utilizados para minerar, aparelhos mais específicos e mais eficientes foram criados para a mineração (ALKUDMANI, 2020), sendo que, o retorno está intimamente ligado ao tipo de máquina utilizada, quer seja baseada em placas gráficas ou asics, sendo que, para este projeto se tenha decidido utilizar o seguinte equipamento.





Pelo exposto, de forma resumida a posse de placas de vídeo, processador, memoria e uma placa mãe com um número considerável de slots pci express e uma fonte de alimentação daria para iniciar o processo de mineração, (Financialmove, 2018), todavia apesar das placas de vídeo servirem bem o propósito, elas foram criadas com outras funções, dai a escolha de um antiminer. Esta possui um desempenho elevado na resolução de cálculos matemáticos essencial para minerar cripto moedas. Segundo Bazan, (2018) esse computador pode ser comprado em site especializado, existindo vários modelos no mercado, onde as principais diferenças entre eles são poder de processamento e o consumo de energia.

Segundo Riggs (2019) a bitmain criou a antminer Z11 que tem três vezes a capacidade de processamento do anterior modelo, superando as máquinas concorrentes em consumo de energia e eficiência. Importa esclarecer e como plano de contingência que existe alternativa a estas máquinas dedicadas, por exemplo, formar a conhecida pool de mineração, que mais não é do que várias pessoas a combinar o poder computacional das suas maquinas para uma maior eficiência e desempenho e, à medida que se têm uma recompensa, ela é dividida por todos os participantes (PASTORINO, 2018).

Ainda em alternativa, temos o processo denominado de Clound Mining, que se traduz no investimento de determinado valor em uma empresa que possui equipamentos de mineração, (hubmines.com), oferecendo dividendos percentuais do montante investido, em forma de valor fiduciário ou em moedas digitais, (LESSA, 2020).

O cripto moedas estão na moda, é de fato uma tendência de gerar renda rápida, sendo cada vez mais conhecidas e utilizadas pelo mundo. Em Portugal, mesmo que esta tecnologia ainda não seja muito acessível, até por causa da falta da regulamentação e de poucos estabelecimentos as utilizarem como meio de pagamento, pouco a pouco observa-se a sua introdução e prevê-se a sua implementação, que acabará por revolucionar os meios de transferência e troca de bens e serviços.

Em suma, as possibilidades são imensas, devido à rentabilidade e margem de lucro que a mineração oferece, podendo ser o alicerce de muitos negócios, a variedade de cripto moedas e as respetivas valorizações dependentes das oscilações de mercado, podem fazer a diferença de escalabilidade das próprias empresa que as adotam. Claro que o jogo de compra e venda se assemelha à bolsa tradicional, mas a vertente de produção, mineração pode permitir para além de um ganho constante real, diário, mensal e anual, a possibilidade a longo prazo, de um ganho substancial como já aconteceu, passando um bitcoin, de um valor zero a 69.000 dólares, (https://coinmarketcap.com).

 

BIBLIOGRÁFICA:

-       ANDERSON, Andreas Criptocurrencies, Wisconsin: 2017, Pubish Drive. ANTONOPOULOS, Andreas M. Mastering Bitcoin. Unlock digital cripto-currencies. O’Reilly, 2014. Mastering Bitcoin. Unlock digital cripto-currencies. O’Reilly. 2016. Versão traduzida.

 

-       FERBER, Stefan. How the Internet of Things Changes Everything. Harvard Business Review. 2013. Disponível em https://hbr.org/2013/05/how-the-internet-of-things-cha. Acesso em 2017/12/25.

 

-       LEE, Larissa. New Kids on the Blockchain: How Bitcoin's Technology Could Reinvent the Stock Market. Hastings Bus. LJ, v. 12, p. 81, 2015.

 

-       GIUNGATO, Pasquale. ew Current Trends in Sustainability of Bitcoins and Related Blockchain Technology, in Sustainability Magazine 2017, 9

 

-       KAMIENSKI, Carlos, SOUTO Eduardo, ROCHA, João, DOMINGUES, Marco, CALLADO, Arthur, SADOK, Djamel. Peer-to-Peer: Computação Colaborativa na Internet. 2004. Disponível em http://www.lbd.dcc.ufmg.br/colecoes/jai/2005/004.pdf. Acesso em 2018/05/01.

 

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-       NARAYANAN, Arvind; BONNEAU, Joseph; FELTEN, Edward; MILLER, Andrew; GOLDFEDER, Steven. Bitcoin and Cryptocurrency Technologies: A comprehensive Introduction. Princeton University Press, 2016.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Gestão Estratégia - Será que é a definição da estratégia que vai determinar a estrutura, ou pelo contrário, a estrutura existente condiciona a estratégia?




Falar sobre Gestão Estratégica, é sobretudo refletir sobre conceitos de estratégia, poder, e liderança, que é de uma tamanha ampla abrangência, que penso ser permitido concluir que não cabe no cômputo desta reflexão, a sua observação aprofundada, mas sim o seu entendimento genérico.

Antes de abordar esta temática, penso ser essencial para chegar à resposta da pergunta supramencionada, compreender o conceito de estratégia, de política, poder, e sobretudo o conceito de liderança.

Em bom rigor e na verdade, a estratégia é em simultâneo uma ciência e uma arte, porque se constitui de um objeto concreto de investigação e analise, através de instrumentos teóricos e práticos, relacionando os factos e acontecimentos. Enquanto ciência socorre-se de ferramentas teóricas, todavia existem limitações estruturais do conhecimento científico, resultantes da escassez de dados, variedade de soluções estratégicas, lógica casual das ações opostas, pluralidade de atores e a pessoalização das decisões.

Por outro lado, como os desfechos estratégicos dependem da capacidade de inspiração do individuo estratégico é também considerada uma arte, que resulta de um conjunto de fatores de decisão. Estes fatores de decisão utilizam além do elemento objetivo, a componente subjetiva do aceitável, da probabilidade e da exequibilidade indispensáveis no delinear estratégico.

O desenho da arte espelha a forma habilidosa como se utiliza os meios, se gere o tempo e se liga os dois, nesse sentido, ao longo do tempo não se materializou a estratégia como uma ação puramente científica e imutável. O cariz da adaptabilidade e aplicabilidade da estratégia como matéria intelectual de elevada ordem permite ao estratega aplicar ideias com precisão, clareza e imaginação, sendo por isso um processo dinâmico e não estático.

A estratégia é autenticada nas competências do estratega que reflete um líder, praticante e teórico. A estratégia da organização é a soma das decisões e ações que oferecem de forma sustentável maior valor ao cliente do que a concorrência (Freire, 2020).

Em termos de terminologia “politica” deriva da palavra “Polis”, (Cidade-Estado), onde se desenvolvia a atividade, em comunidades de grande e pequena dimensão, de quem exercia o poder ou quem lutava para o alcançar, defendendo o interesse de todos os membros da polis, incluindo, os interesses de justiça, segurança e bem-estar. Evolutivamente, passou-se de uma perspetiva liberal de defesa e preservação de liberdade e direitos patrimoniais face ao estado, para uma perspetiva de utilização do estado, como garantia da consagração dos direitos económicos, sociais, culturais e mais tarde ambientais.

Em sentido restrito, Poder, traduz-se na capacidade de estabelecer qual deve ser a vontade alheia independentemente do processo utilizado para o efeito, nomeadamente, através do meio coercivo ou da capacidade de despertar a vontade humana de obedecer através do consentimento. Atento ao poder como fenómeno político, no sentido mais lato, caracteriza-se por ser exercido em maior escala, encarnando um sentido de obediência abstrato, ou seja, em vez de o individuo estar subordinado no seu livre arbítrio a uma pessoa concreta, os seus procedimentos são regulados e legitimados pelo poder político. Importa referir ainda sobre o poder político, a sua legitimação, organização, limitação e espaço do seu exercício.

Em termos genéricos o poder político reúne à sua volta o consenso mínimo dos apoiantes e adversários que lhe permite ser aceite sem o recurso sistemático e exclusivo à violência. Juridicamente o poder decorre da escolha efetuada nos termos da constituição e da perspetiva social, sendo legítimo, o poder que seja aceite pelo maior numero, independentemente da razão que fundamente esse facto.

A globalização e a criação de organizações como o FMI, UNESCO e a própria U.E., trouxe a necessidade de prestar atenção acrescida sobre a problemática dos espaços do exercício de poder e a sua natureza, quer seja em organizações privadas ou públicas.

Naturalmente ao abordar o assunto da gestão estratégica é preciso falar ainda sobre liderança; que no fundo é a inteligência de manipular as pessoas para trabalharem com entusiasmo apontando alcançar os objetivos reconhecidos como sendo para o bem comum, (HUNTER, 2004, p. 25). Segundo Chiavenato (2003), o conceito de liderança surgiu na década de trinta, fora do campo da história e da filosofia, já que cada autor tem o seu conceito sobre a liderança, sendo o mais usual definido pela capacidade de influenciar um grupo em direção ao alcance de objetivos.

Na minha perspetiva, um bom líder deve de forma eficiente granjear um equilíbrio entre os objetivos da empresa, perfilando-os com os objetivos de quem trabalha na empresa. O líder deve deter competências e liderar pelo exemplo, sendo honesto com os subordinados, mas retirando deles o máximo das suas capacidades produtivas em prol da empresa. Deve atingir uma harmonia, segundo os recursos que possui, visando o lucro da empresa e assegurando que os subordinados tenham também a oportunidade de conseguir atingir os seus objetivos pessoais.

A liderança reconhece a forma como os líderes desenvolvem e seguem a função, visão e os valores essenciais para apoiar o sucesso da Organização (Manual CAF 2013, 2019, p. 19). Este raciocínio reparte-se em orientar a empresa através do desenvolvimento da missão, visão e valores; desenvolver e implementar um sistema de gestão da empresa, do desempenho e da mudança; motivar e apoiar as pessoas da empresa e servir de modelo; gerir as relações com os políticos e com as outras partes interessadas de forma a assegurar uma partilha de responsabilidade.                                                                                                         

Seguidamente, deparamo-nos com o planeamento estratégico, que é a forma como a empresa planifica e executa a sua estratégia mediante as suas necessidades, recursos e expectativas dos Stakeholders (Manual CAF 2013, 2019, p. 24). Este último fragmenta-se, naquilo que a empresa efetua na busca da informação referente às necessidades atuais e futuras visando todas as partes envolvidas; na forma como a empresa trata a informação recolhida e planifica a sua estratégia, como a implementa em toda a estrutura e como prevê a sua modificação e evolução.                                                                                                                                             

Posteriormente, refletimos sobre o capital humano, onde a empresa planifica e faz a gestão dos melhores recursos humanos, envolvendo-os com a estratégia da empresa (Manual CAF 2013, 2019, p. 29). É nesta sintonia que a empresa deve de forma equitativa e justa gerir os recursos humanos em consonância com os objetivos individuais e organizacionais, identificando, desenvolvendo, usando as competências das pessoas, através da comunicação, da delegação de funções sem deixar de garantir o bem-estar geral.                                                                     

Aqui chegados importa focar atenção nos recursos e parcerias, e saber de que forma a empresa pretende gerir, planear as parcerias, os recursos internos e garantir o cumprimento dos processos de estratégia (Manual CAF 2013, 2019, p. 33). A empresa na avaliação da sua estrutura deve, referenciar o que faz, para desenvolver e gerir as parcerias que acrescentam valor. Deve ainda implementar e fortalecer parcerias com os clientes, gerir os meios financeiros, a informação, os recursos tecnológicos e materiais.                                                                                                                                                                                                                                                                     

Por ultimo, no que concerne aos meios e processos, deve dominar a forma como são criados, geridos no sentido de os melhorar, visando o suporte necessário para modernizar as politicas e estratégias definidas, garantindo a satisfação através da criação de mais-valias para as partes envolvidas e naturalmente os clientes (Manual CAF 2013, 2019, p. 40).

A estratégia, na sua essência, na maioria das vezes, obedece aos fatores de decisão, que estão bem gravados na formulação e na operacionalização da modalidade da ação, todavia não cumpre a um raciocínio predefinido, pois trata-se de uma atividade criativa.

O pilar científico é importante na fase de formulação e operacionalização das estratégias, pois existe interesse que os líderes civis e militares percebam bem o modelo estratégico que integra a modalidade da ação, onde fazem parte os fatores de decisão, os níveis de decisão, execução, os princípios, regras, a vantagem estratégica, os modelos de ação e as provas da estratégia, de aplicação universal.

A operacionalização da estratégia nas empresas, permite aos líderes planear, discutir diferentes visões estratégicas, contudo é necessário salientar, que por muitas aproximações científicas que sejam construídas à formulação e à operacionalização da estratégia, esta permanecerá sempre, situada como uma arte e não como uma ciência.

Atento à obra “Memorias de um Outono Ocidental: Um seculo sem Bússola” do Professor Adriano Moreira, nós caminhamos numa europa sem rumo, distanciando gerações, provocando a morte antecipada da geração mais velha e seguindo um rumo de democracia não efetiva que nos vai conduzir à desordem mundial. É cada vez mais, necessário o vínculo a uma mentalidade de constante adaptação e aprendizagem.

As sociedades estão cada vez mais dinâmicas, onde o processo evolutivo é esto diante, sendo que, a aceitação a esta nova realidade é inevitável, deve-se abraçar este espirito e sintonizar nesta atual corrente.

No mundo empresarial devemos aproveitar as formas e metodologias já utilizadas, contudo sem ignorar ou negar, as novas tendências, pois pode ser uma atitude fatal que evita decerto o sucesso das empresas.

“O Projeto, não é uma simples representação do futuro, mas um futuro para fazer, um futuro a construir, uma ideia a transformar em ato”. Jean Marie Barbier, (1993), dessa forma, através da ação, aliado à sapiência, com espirito inovador, atento às novas tendências, adquirindo novos conhecimentos e respeitando a ética moral e dos bons costumes, penso estar reunidos os ingredientes necessários para uma boa gestão estratégica.



Siglas:

- Globalização - Fenômeno da aproximação das pessoas e suas culturas a nível global. O processo de globalização abarca a dimensão económica, politica, social, jurídica, social, demográfica, cultural e religiosa, ou seja, um fenómeno amplamente abrangente com impacto em todas as áreas da interação humana.                                                                                                                                                                       - UNESCO - United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization,                                                  - FMI – Fundo Monetário Internacional,

- EU – União Europeia,                                                                                                                                    - SWOT - Forças (Strengths, Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities), Ameaças (Threats), (em Português F.O.F.A.).

 

 

Bibliografia:

 

- Aguiar, N. (2010). O Modelo de Gestão da Qualidade CAF (Estrutura de Avaliação Comum) O Papel da Liderança. Lisboa: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

      

- CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a teoria geral da administração, 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. Bertrand Editora.                                                                                                                                    - HUNTER, - James. O monge e o executivo: Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

 

- Ribeiro, António Silva, Teoria Geral da Estratégia, Coimbra, Almedina, 2009.

 

- Ribeiro, António Silva, Planeamento da ação estratégica aplicado ao Estado, Lisboa, Minerva, 1998.     

 

- Ribeiro, António Silva, Política de Defesa Nacional e Estratégia Militar – modelo de elaboração, Lisboa, Segurança e Defesa, ed. Diário de Bordo, 2010.                      

 

- Rodrigues, Carlos (2021-11-11). Gestão Estratégica no Turismo/Hotelaria  [Webinar]. Politécnico de Leiria, https://www.youtube.com/watch?v=XWHbpAL5BZI

 

- PINTO, Carla, “Empowerment, uma Prática de Serviço Social”, 1988, in BARATA, O (coord), Política Social – Lisboa: ISCSP (p.247).

 

- GIDDENS, Anthony, “O Mundo na Era da Globalização”, Lisboa: Editorial Presença. 2000

 

- BESSA, António Marques, Elites e Movimentos Sociais, Lisboa: Universidade Aberta, 2002

 

- MOREIRA, Adriano – Ciência Politica 4. ed. Coimbra: Almedina, 2009.