A identidade da Europa
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
A identidade da Europa
Identidade
da Europa o novo paradigma do século XXI. Esta assunção é desde logo polémica
porque tem subjacente a noção de que a União Europeia, enquanto projeto
económico e político, tem falta de coesão essencial. Falta o entendimento de
identidade como uma expressão singular de pertença comum, estável e
legitimadora da ação social e simbólica geral comum. A busca científica no
sentido de encontrar uma pertença estável e o reconhecimento das diferenças de
género, religião, classe ou etnia, atravessam a Europa multinacional,
multiétnica e multicultural. Os desafios do alargamento mantêm a
problematização da identidade no centro do debate político, cultural e
económico. A cultura europeia não pode existir se os países que a constituem
forem reduzidos à sua identidade. Mais ainda, a existência de valores comuns
que se manifestavam de forma diversa, apresentam-se como um modelo dinâmico em
que identidade funde-se em identidades diversas e presas a um tempo. Assim
sendo, quando falamos de cultura europeia, falamos de identidades que se
descobrem nas várias culturas nacionais. No entanto, há algumas características
comuns na Europa, que nos permitem falar de uma certa cultura europeia. Por
exemplo, o nacionalismo, observado nos dois últimos séculos, permitiu que a
nação adquirisse relevo especial, não só como referência identitária de massas,
mas também como fundamento da legitimidade política. Emerge assim o ideal
político do Estado-Nação, que determina que uma entidade política deve
corresponder a uma nação. Na verdade, o modelo inspirador não era a Organização
Internacional, mas sim o Estado-Nação. Hoje verifica-se que apenas o que estava
em causa, era a criação de uma Europa unida à semelhança dos Estados Unidos da
América. Mas o processo de integração europeia está longe do fim esperado. A
integração europeia tem vindo a exigir a transferência progressiva de soberania
política dos seus Estados-Membros para o conjunto das instituições que a
constituem. A falta de uma direção eficiente da classe política, o conflito de
gerações, a diversidade cultural e linguística da União Europeia, leva a que os
povos comecem a questionar a sua existência e seja percecionada como algo
artificial.
João Carriço
A identidade da Europa
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Oleh
João Carriço

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